Sinédoque

Por Paula Perin dos Santos
Leia os versos a seguir:

“A mão que toca o violão
se for preciso vai à guerra”.
(Marcos e Paulo Sérgio Vale)

Observe que o eu lírico usou o termo “mão” para designar o próprio indivíduo, estabelecendo uma relação de contigüidade, de proximidade entre o que elas representam. Ou seja, a parte (a mão) foi usada para referir-se ao todo (o próprio indivíduo).
Veja outros exemplos:

- “O francês cultiva a arte culinária”. (os franceses)

- “Ao cair da tarde, o bronze soa triste”. (o sino)

Aqui, o termo “francês” foi empregado no singular para referir-se aos “cidadãos franceses”, no plural. No segundo exemplo, a matéria – o bronze - foi usada para designar o próprio objeto – o sino. A essa figura de expressão chamamos sinédoque, que consiste em empregar o todo pela parte, ou vice-versa, do mais para o menos, ou vice-versa.

Um exemplo de sinédoque bastante empregado no cotidiano:

“Nunca tive um teto para me abrigar”. (casa)

Sendo a sinédoque, na verdade, um caso de metonímia, muitas vezes os dois conceitos aparecem confundidos. Alguns autores consideram que, só quando a relação entre os termos é qualitativa é que ocorre a sinédoque. Sugere-se, porém, a distinção aqui feita.

Fontes
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.35-6.
PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 101.

SAVIOLE, Francisco Platão. Gramática em 44 lições. 15 ed. São Paulo, Ática, 403-4.