Cassiano Ricardo

Doutorado em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (PUC-Rio, 2013)
Mestrado em Linguística, Letras e Artes (PUC-Rio, 2008)
Graduação em Jornalismo (PUC-Rio, 2001)

Cassiano Ricardo Leite nasceu em 26 de julho de 1895, em São José dos Campos (SP), filho de Francisco Leite Machado e Minervina Ricardo Leite. Após terminar os estudos em sua cidade natal, muda-se para São Paulo, onde matricula-se no curso de Direito, que concluiria em 1917 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal.

Formado, retorna a São Paulo, tornando-se um dos líderes do movimento pela Semana de Arte Moderna, que ocorreria em 1922, participando dos grupos Anta e Verde Amarelo, junto a nomes como Cândido Mota Filho, Menotti del Picchia, Plínio Salgado e Raul Bopp.

Em sua extensa atividade como jornalista, trabalha em veículos como Correio Paulistano, como redator, e A Manhã, como diretor. Ademais, funda, em 1924, a revista literária Novíssima, dedicada ao movimento modernista e ao intercâmbio cultural pan-americano. Posteriormente, também fundaria as revistas Planalto, em 1930, e Invenção, em 1962.

Em 1937, inaugura, junto a Cândido Mota Filho e Menotti del Picchia, o movimento político intitulado como “A Bandeira”, que se opunha diretamente ao Integralismo, de cunho fascista e com participação do ex-companheiro Plínio Salgado. Assim, incorpora a ideologia do movimento no jornal O Anhanguera, que dirigia na época, representada pelo slogan: “Por uma democracia social brasileira, contra as ideologias dissolventes e exóticas”.

Em 1950, é eleito presidente do Clube da Poesia, em São Paulo, instituindo um curso de Poética e dando início à publicação da coleção “Novíssimos”, destinada a disseminar a poesia e ideologia da época. Três anos depois, é nomeado chefe do Escritório Comercial do Brasil em Paris, cargo que ocupa durante cerca de um ano.

No campo da literatura, estreou em 1917 com a publicação do livro de poemas A flauta de Pan, com demarcada inspiração na poesia parnasiana e simbolista. Em termos ideológicos, adota na obra a posição nacionalista do modernismo. Entre as suas obras vinculadas ao movimento, destacam-se Vamos caçar papagaios (1926), Borrões de verde e amarelo (1927) e Martim Cererê (1928).

Em 1943, inaugura uma nova etapa de sua carreira com a publicação de O sangue das horas, marcado pelo lirismo introspectivo-filosófico, que se intensifica na obra seguinte, Um dia depois do outro (1947). Posteriormente, manifesta interesse nas experiências do Concretismo e do Praxismo, movimentos da poesia de vanguarda nas décadas de 50 e 60, o que daria origem ao livro Jeremias sem-chorar (1964).

Em paralelo, dedica-se as atividades de historiador e ensaísta, tendo publicado, nesse campo, em 1940, o livro Marcha para Oeste, no qual estuda o movimento das entradas e bandeiras.

Cassiano também integraria o plantel do Conselho Federal de Cultura e da Academia Paulista de Letras. Na Academia Brasileira de Letras, onde ocupa a Cadeira 31, exibe atuação expressiva, como Relator da Comissão de Poesia e idealizador do processo de renovação da Instituição.

Em 14 de Janeiro de 1974, falece no Rio de Janeiro, em decorrência da diabetes, passando à posteridade como um dos ícones da poesia modernista e de vanguarda.

Referências:

BOSI, A. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 2001.

ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Biografia: Cassiano Ricardo. http://www.academia.org.br/academicos/cassiano-ricardo/biografia

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