Por Ana Lucia Santana |
Por ser direcionada diretamente para as páginas da imprensa, pode-se afirmar que a crônica é elaborada com uma utilidade já prevista, a de cativar o leitor no âmbito de um espaço pré-fixado, com endereço conhecido. O público-alvo já sabe que irá encontrar nestas páginas o texto que conquistou sua atenção; criam-se então laços de intimidade entre o autor e os que consomem sua criação. As crônicas vêm uma após a outra, a posterior sempre determinando o fim da existência de sua antecessora.
Este termo provém do latim chronica, que se refere, no princípio do Cristianismo, à narrativa de fatos históricos conforme eles se sucederam na linha temporal. Após a criação da imprensa, as crônicas passaram a frequentar as páginas dos jornais. A primeira publicação ocorreu em 1799, no Journal de Débats, editado em Paris. Embora haja muito em comum entre a crônica e o texto jornalístico, pois ambos recebem a influência dos eventos rotineiros, há pontos que diferenciam um do outro. O cronista mescla à sua produção textual toques de ficção e de imaginação, acrescentando, portanto, um estilo especial e pessoal à sua obra. Já a produção jornalística não apresenta estas características.
Alguns afirmam que a crônica está em um espaço intermediário entre o Jornalismo e a Literatura, mas não tem exatamente uma forma própria. Seus fãs, porém, não estão interessados em rótulos, mas no conteúdo da crônica, este texto breve e contado na primeira pessoa - que revela assim o autor interagindo com o leitor. O escritor escolhe palavras, o estilo que irá aplicar aos seus escritos e assim passa aos que o lêem seu ponto de vista particular sobre o mundo. Normalmente ele se vale de um discurso singelo, natural, que se insere entre a linguagem oral e a escrita.
Há crônicas dissertativas, como as escritas por Machado de Assis; poéticas transcritas no estilo da prosa, como as de Paulo Mendes Campos; contos breves, como os elaborados por Nelson Rodrigues; os ‘causos’ narrados por Fernando Sabino; as que assumem a forma de recordações, como as de Carlos Drummond de Andrade. Há pelo menos 150 anos elas povoam os periódicos brasileiros, importadas de terras inglesas, onde já frequentavam as páginas da imprensa do século XIX.
Elas debatem os temas do momento, refletem o contexto que as gera, e são escritas de forma a cultivar uma certa conivência com o leitor. Algumas delas têm um viés humorístico, outras um tom crítico e até mesmo irônico. Sem nunca esquecer do toque poético que deve se derramar sobre eventos pequenos, enaltecidos através da crônica que os aborda.
As crônicas não abrigam acontecimentos pomposos, não tomam partido de nada nem de ninguém, são concisas e despojadas de toda arrogância. Elas estão mais aptas a aceitar a boa disposição de ânimo, a familiaridade, a poética, o imprevisto, a expressão pessoal de cada um, a reciprocidade de interesses.
Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Crônica
http://vejasaopaulo.abril.com.br/revista/vejasp/edicoes/2005/m0127378.html
| Data de publicação: Categorias: Gêneros Literários, Literatura |
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