Ensaio literário

Mestre em Ciências Humanas (CEFETRJ, 2014)
Especialista em Linguística, Letras e Artes (CEFETRJ, 2013)
Graduada em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (UFRJ, 2011)

Nos estudos literários, Ensaio é o texto livre de convenções e de protocolos que se posiciona entre a linguagem poética e a instrutiva. Por meio do Ensaio, é possível discorrer a respeito de qualquer temática que se queira, segundo a perspectiva de seu autor. Fundamentalmente, o Ensaio é um texto de opinião em que se expõem ideias e impressões pessoais do autor sobre determinado tema.

Em outras palavras, isso significa dizer que o Ensaio é um gênero discursivo argumentativo e expositivo que apresenta tentativas de refletir criticamente e subjetivamente, em que o autor assume um claro ponto de vista e busca defende-lo em uma estrutura textual lógica e bem organizada.

Dessa forma, os mais variados temas podem ser objeto de análise em um Ensaio: política, filosofia, costumes sociais, cultura, moral, ética etc. dispensando o rigor científico de apresentar provas concretas ou deduções científicas. Visto que não há claras fronteiras bem demarcadas limitando o Ensaio de outros gêneros, em geral, são assim rotuladas as obras que não se enquadram bem nas outras classificações de gênero ou os próprios escritores assim já intitulam seus escritos.

Por isso, o trabalho em um Ensaio se fundamenta substancialmente numa estruturação lógica e numa defesa lúcida do ponto de vista de seu autor, com bom domínio da retórica e da persuasão. Não é raro ainda que o autor recorra a outras opiniões já publicadas sobre o mesmo tema para fortalecer a defesa de sua perspectiva e de seus argumentos.

Os primeiros ensaios remontam ao século XVI, quando o filósofo francês Michel Eyquem de Montaigne compôs sua obra “Ensaios”, publicada em 1580. Montaigne assim intitulou sua publicação porque pretendia que fosse algo leve, algo como um esboço de literatura, meros pareceres informais. Nos anos seguintes, o estilo se consolidaria como forte forma de expressão dos estudiosos de Literatura e de Filosofia, reunindo adeptos em diversos países.

Tradicionalmente, o Ensaio enquanto gênero é dividido em dois modelos diferentes: um familiar ou informal, que imprime um parecer muito particular e pessoal sobre uma dada realidade, sem uma premissa estabelecida previamente. E outro, discursivo ou formal, em que o texto tem caráter conclusivo, se presta a refletir e elaborar um texto mais denso e extenso, procura trilhar uma linha lógica.

O Ensaio se popularizou muito nos séculos XIX e XX por conta do seu caráter de fácil assimilação e transmissão, especialmente o Ensaio do tipo informal. É um tipo de texto que se propõe apresentar uma discussão e refletir sobre um dado tema, sem o compromisso com o rigor e com o método científico; um texto que pode ser a discussão a cidadãos comuns e em locais informais, como os cafés por toda a Europa do século XIX.

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