Ensaio Literário

Por Ana Lucia Santana
O Ensaio se refere ao texto literário conciso, livre de convenções e formalidades, a meio caminho entre a linguagem poética e a instrutiva. Através deste discurso definido de formas distintas por cada estudioso do assunto, portanto descrito sem rígidas normas e fronteiras, é possível discorrer sobre qualquer temática segundo o ângulo subjetivo de seu autor.

Assim, pode-se falar sobre questões da esfera humana, da filosofia, da política, do âmbito social, cultural, moral, entre outros temas, sem a necessidade de se recorrer a provas concretas ou a deduções científicas. Como não há limites precisos entre o ensaio e outros gêneros, as mais diferentes obras são assim rotuladas, e ao mesmo tempo vários escritores incluem esta expressão ao intitularem suas produções.

Como no ensaio as pessoas estão livres para discutir qualquer assunto do seu próprio ponto de vista, seu autor não se vê constrangido a compactuar com as opiniões alheias sobre o que ele escreveu. Seu trabalho merece a consideração de todos, por mais excêntrico que seja, se for lucidamente estruturado e logicamente defendido, com a necessária persuasão. O contrário ocorrerá com uma suposição bem padronizada e convencional, mas fracamente construída e argumentada.

Os ensaios nasceram no século XVI, pelas mãos do filósofo francês Michel Eyquem de Montaigne, ao compor sua obra Ensaios, de 1580. Sua intenção era produzir algo leve, simples formas de se ver o mundo, meros pareceres informais. Ou esboços de literatura, tradução literal do termo ‘essais’.

Pouco tempo depois, em 1597, Francis Bacon se tornaria o pioneiro neste gênero na Inglaterra. Posteriormente este estilo se consolidaria como um dos mais importantes no círculo da Filosofia e da Literatura, marcando igualmente os rumos da História.

Este gênero pode ser dividido em dois modelos diferentes. O ensaio familiar ou informal revela um julgamento subjetivo e muito pessoal do real, sem um arcabouço definido ou previamente estabelecido. Nele o autor usa uma tonalidade sutil, de caráter impressionista. O discursivo ou formal refere-se ao texto extenso, conclusivo, elaborado em um discurso sério, grave. Seu objetivo é alcançar uma linha lógico-discursiva, de teor puramente intelectual.

O ensaio informal foi o que mais se disseminou pelo continente europeu no século XIX e em princípios do século XX, por ser mais fácil de se transmitir. Sua meta é apresentar uma discussão reflexiva sobre qualquer tema que seja fácil de se digerir, um texto descompromissado com verdades objetivas e científicas, pronto para ser acaloradamente debatido em lugares como um simples café, por qualquer pessoa.

O ensaio veio evoluindo com Locke no século XVII; com Daniel Defoe, Joseph Addison,  Richard Steele e Samuel Johnson, na Inglaterra, Montesquieu e Voltaire, na França, no século XVIII; com o francês Sainte-Beuve e os norte-americanos Ralph Emerson e Henry David Thoreau, no século XIX; com Aldous Huxley, George Orwell e Thomas Eliot, na Inglaterra, Stefan Zweig na Áustria, Thomas Mann, na Alemanha, José Ortega Y Gasset, na Espanha, Paul Valéry, Albert Camus e Marguerite Yourcenar na França, e Alceu Amoroso Lima, no Brasil, os quais dominaram o século XX.

Fontes:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ensaio
http://recantodasletras.uol.com.br/teorialiteraria/216024