Literatura Comparada

A Literatura Comparada nunca teve parâmetros rigorosamente fixados. Assim sendo, se a princípio lhe cabia investigar, no início do século XIX, a trajetória de um determinado autor ou de uma certa obra no exterior, ou pesquisar as marcas deixadas por uma produção literária em outra do mesmo país, ou as dívidas de uma criação em relação a uma anterior ou até mesmo contemporânea, hoje ela é ironicamente chamada de Estudos Culturais ou Comparatismo Cultural. Isso porque ela tem se ocupado mais, hoje, da comparação entre literatura e artes, ou entre literatura e disciplinas da área de humanas.

Sua tarefa seria, porém, analisar comparativamente duas ou mais literaturas. No entanto, este procedimento nunca foi uniforme, pois sempre se recorreu a métodos diferenciados, uma vez que os estudiosos deste campo abordavam objetos variados, trabalhando assim com um amplo espectro de ação, o que destaca o caráter de complexidade que a Literatura Comparada detém.

Há também uma carência de consenso entre as publicações sobre o assunto, principalmente quanto ás metodologias a serem adotadas. Tudo se torna ainda mais difícil quando se leva em conta que, muitas vezes, é necessário recorrer-se a uma metodologia mista, dependendo do que será analisado.

O importante é perceber, cada vez com maior clareza, que esta disciplina não deve ser entendida tão somente como um ato de comparação. Mesmo porque comparar algo é uma iniciativa de variadas áreas do conhecimento, um costume próprio do ser humano. A diferença na Literatura Comparada é que ela se torna o método por excelência, transformando-se no dado analítico principal. Este instrumento ajuda o pesquisador a investigar com mais propriedade a esfera com a qual ele se preocupa.

Atualmente, ao se observar mais intimamente a Literatura Comparada, fica claro que ela vem realmente sofrendo uma mudança profunda, talvez uma cisão entre dois paradigmas distintos no interior das pesquisas comparativistas. Se, por um lado, segue-se com a tradicional prática desta disciplina, por outro a literatura passa a se relacionar com a cultura e outros campos, tais como sociologia, psicanálise, filosofia e antropologia, analisada em pontos que se referem ao significado, à autoria, aos aspectos ideológicos, ao gênero, à identidade cultural e à diferença.

É possível que seu navegador não suporte a exibição desta imagem. A França é o ponto de partida para os estudos comparativos, aí se fixando com maior rapidez, neste país assumindo a expressão com a qual se tornou conhecida em todo o mundo, embora às vezes competindo com o termo ‘literatura geral’ ou ‘literatura mundial’ - Weltliteratur, firmado por Goethe, em 1827. Hoje, a Literatura Comparada luta para estabelecer sua identidade e não se perder na amplitude de investigações em que vem se envolvendo.

Fontes
http://paginas.terra.com.br/arte/ dubitoergosum/convidado09.htm
http://www.ufrgs.br/proin/versao_1/ textos/literatura2.doc

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