Literatura jesuítica

Por Felipe Araújo
A expansão marítima realizada por portugueses e espanhóis no século XVI tinha por objetivo conquistar novas terras. Após a descoberta do Brasil, pela frota de Pedro Álvares Cabral em 1500, houve estranhamento entre os europeus e os nativos dos territórios que eles julgavam ser as Índias. Na época, Portugal encontrava-se em plena expansão mercantil e, para domar os povos que habitavam os territórios, começaram a guerrear tentar convertê-los religiosamente.

No ano de 1549 ocorre a Contrarreforma (Reforma Católica) e, com ela, os jesuítas chegam ao território brasileiro. Sua missão era a catequese dos índios e instalação de estabelecimentos de ensino no Brasil. Desta forma, foram os fundadores dos colégios. Naquela época, estas instituições eram a única forma de cultura que existia na colônia portuguesa.

Assim começam a aparecer as obras literárias que formam o Quinhentismo do Brasil, período literário de cartas, documentos, mapas e ensaios informativos sobre as novas terras. No que se refere à literatura jesuítica, as formas mais marcantes de sua prática eram: poesia devota, teatro pedagógico baseado em passagens da Bíblia e documentos sobre os avanços e dificuldades na catequese dos nativos.

Entre estas ferramentas utilizadas para catequizar os índios, a mais lúdica e eficiente era o teatro. Além dos indígenas, também era necessário criar regras morais para os costumes dos brancos colonizadores. Para as apresentações teatrais, os jesuítas aprenderam o Tupi para criar uma aproximação com os nativos, que, não somente assistiam as peças. Eles participavam cantando, dançando e atuando. Entre os mais importantes autores de literatura jesuítica naquele período estão Fernão Cardim, que era um missionário e Manuel da Nóbrega, sacerdote jesuíta.

O padre José de Anchieta, por seu grande contato com a população indígena, ficou conhecido como o grande piahy, o supremo pajé branco. Entre suas contribuições para a literatura brasileira estão a 1ª gramática da língua tupi, que funcionava como uma cartilha para o aprendizado dos nativos. As peças e poesias que escrevia eram uma mistura dos costumes indígenas com a moral do catolicismo.

O Auto de São Lourenço, uma de suas peças de maior destaque, é uma obra que abrange o espanhol, o português e o tupi para contar a história de São Lourenço, um mártir católico que morreu queimado ao se negar a renunciar a sua fé. Em uma tentativa de harmonizar os valores dos nativos com a moral católica, Anchieta dedicou uma vida ao estudo dos mitos indígenas, suas ideias e modo de vida.

Fontes:
http://www.slideshare.net/Carrat/literatura-jesutica
http://www.soliteratura.com.br/quinhentismo/quinhentismo02.php
http://pt.wikipedia.org/wiki/Quinhentismo
http://literatura-letras.blogspot.com.br/2010/05/literatura-jesuita.html