Manuel Bandeira

Por Cristiana Gomes
Manuel Bandeira, Oswald de Andrade e Mário de Andrade formam o trio de escritores mais importantes da Primeira Fase Modernista (1922 – 1930). Esta fase é responsável pela divulgação e solidificação desse movimento no Brasil.

Manuel Carneiro de Souza Filho, nasceu em 19 de abril de1886 em Pernambuco e depois mudou-se para o Rio de Janeiro com sua família.

Queria ser arquiteto, porém a tuberculose não permitiu. Passou por vários lugares para se tratar, dentre eles a Suíça (entre 1916 – 1917). Lá, conheceu o escritor Paul Éluard, que estava internado na mesma clínica. Numa de suas conversas com Éluard, Manuel Bandeira ficou sabendo sobre as inovações artísticas que aconteciam na Europa e as possibilidades do verso livre na poesia. Aliás, hoje, Bandeira é considerado o Mestre do Verso Livre no Brasil.

Obs: o verso livre não segue regras estabelecidas, o escritor cria seus próprios critérios.

Exemplo:

Poema do Beco

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.

(Estrela da vida inteira)

No primeiro verso temos uma visão aberta para o mar e o horizonte; já no segundo, a visão é mais curta, vemos apenas o beco.

Manuel Bandeira descobriu a poesia enquanto estava doente e longe da vida agitada da maioria dos jovens.

Temas Mais Comuns Nas Suas Obras
-Paixão pela vida
-Morte
-Amor
-Erotismo
-Solidão
-Angústia
-Cotidiano
-Infância

Obras
- A cinza das horas (1917)*
- Carnaval (1919)*

*Obras com certa liberdade formal e influências pós-simbolistas.

- Ritmo dissoluto (1924): obra de transição que apresenta temas populares e linguagem simples. O livro contém os poemas Meninos carvoeiros, Na Rua do Sabão, Noite morta.

- Libertinagem (1930): é com esta obra que Manuel Bandeira atinge o seu auge como escritor modernista. Este livro contém o famoso poema Pneumotórax.

- Estrela da manhã (1936)*

- Lira dos cinqüent’anos (1948)*

- Belo belo (1948)*

- Opus 10 (1952)*

- Mafuá do malungo (1954)*

*Todas estas poesias estão incluídas no livro Estrela da vida inteira (1965).

Manuel Bandeira era um poeta que usava o cotidiano e todas as coisas simples da vida para compor a sua poesia.

Poema tirado de uma noticia de jornal

João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.

(Estrela da vida inteira)

O seu convívio com pessoas humildes fez com que o poeta se interessasse pelas coisas simples do nosso cotidiano. Manuel Bandeira quis aproximar a poesia e a cultura popular.

Outras Obras

- Crônicas da província do Brasil (1937)
- Itinerário de Pasárgada (1954)
- Andorinha, andorinha (1965)
- Os reis vagabundos e mais 50 crônicas (1966)

Pasárgada é um mundo fictício. O poeta o criou para que ele pudesse fugir da realidade, já que teve um sério problema de saúde e não pode viver plenamente.

Vou-me embora para Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Esse poema foi musicado por Gilberto Gil em 1986.
Manuel Bandeira, embora indiretamente, participou as Semana de Arte Moderna, em 1922.

Nessa época, o grande escritor, morava no Rio de Janeiro e estava distante do grupo paulista que queria mudanças e atacava a cultura oficial.

O escritor preferiu ficar isolado, embora fosse grande amigo de Mário de Andrade.
Sua colaboração com a Semana de 22 foi com o poema “Os sapos”, que foi lido por Ronald de Carvalho em meio a vaias e gritarias.

Em 1938, foi nomeado professor de Literatura do Colégio Pedro II, e em 1940, tomou posse na Academia Brasileira de Letras. Em 43, tornou-se professor de Literatura Hispano-Americana da Faculdade Nacional de Filosofia (atual Faculdade de Educação da UFRJ).

Manuel Bandeira foi crítico de artes, tradutor, fez diversas conferências e escreveu as biografias de Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Junqueira Freire e Castro Alves. Também recebeu vários prêmios.

Quando completou 80 anos, recebeu várias homenagens, porém 2 anos depois, seu estado de saúde se agravou e no dia 13 de outubro de 1968, o grande escritor partiu deixando para trás em conjunto de obras que até hoje são admiradas pela critica e, principalmente, pelo público.


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