Ornitorrinco

Graduação em Ciências Biológicas (UNIFESP, 2014)

Ornitorrinco (Ornithorhynchus anatinus) é considerado um dos animais mais peculiares da face da Terra, sendo a única espécie viva da família Ornithorhynchidae e do gênero Ornithorhynchus. Possui o corpo todo coberto por pelos de coloração marrom escura, os membros são curtos e robustos, os pés possuem membrana interdigital e a cauda parece com a de um castor. O focinho é alongado, semelhante a um bico de pato. Os filhotes possuem pequenos dentes calcificados que são substituídos por uma placa queratinizada nos adultos. São animais semiaquáticos e noturnos. Excelentes mergulhadores, os ornitorrincos passam grande parte do tempo debaixo d’água (cerca de 12 horas por dia) em busca de comida. Precisa comer 20% de sua massa corpórea todos os dias, e sua dieta é composta principalmente de anelídeos, larvas de insetos aquáticos, camarões de água doce, girinos, caramujos, lagostins de água doce e pequenos peixes. São endêmicos da Austrália e possuem grande flexibilidade de habitats, podendo ser encontrado tanto em altas temperaturas, como nas florestas de Queensland, como em áreas cobertas de neve, como nas montanhas de Nova Gales do Sul.

Foto: Heinrich Harder (1858-1935) (The Wonderful Paleo Art of Heinrich Harder) [Public domain], via Wikimedia Commons

Foto: Heinrich Harder (1858-1935) (The Wonderful Paleo Art of Heinrich Harder) [Public domain], via Wikimedia Commons

Os ornitorrincos são totalmente adaptados à vida aquática. Conseguem mergulhar por cerca de dois minutos sem vir à superfície para respirar. Dentro d’água membranas de pele protegem os olhos, ouvidos e narinas, deixando-os cegos e surdos durante os mergulhos. O forrageamento é feito então pelo sentido de eletrorrecepção, no qual terminações nervosas sensíveis localizadas no bico detectam os campos elétricos gerados pelas contrações musculares das presas. Através desse sentido, os ornitorrincos conseguem determinar a direção e a distância da presa quando esta se desloca. Outra peculiaridade desses animais é a produção de veneno. Os machos possuem esporões nos tornozelos, que produzem um veneno composto principalmente por proteínas DLPs- exclusivas dos ornitorrincos, capaz de matar pequenos animais. Apenas os machos produzem o veneno, cujo ápice de produção acontece durante a época reprodutiva, o que indica que ele seja usado como elemento de dominância para defesa de território contra machos rivais.

A reprodução desses animais também é bem singular. São mamíferos, porém as fêmeas não possuem mamas. O leite é produzido pelas glândulas mamárias, escorre e se acumula na região do peito da fêmea onde os filhotes lambem o alimento. O acasalamento, que ocorre entre junho e outubro, acontece dentro da água. Logo após a cópula a fêmea cava um longo túnel em terra com cerca de 2 m de profundidade e com a entrada dentro da água. Ela coloca de um a três ovos pequenos, semelhantes ao dos répteis. No último estágio de desenvolvimento dentro dos ovos os filhotes ornitorrincos criam uma espécie de dente na ponta do bico (dente de ovo) que irá ajuda-los a romper a casca ao nascer. Os filhotes nascem sem pelos e cegos, muito vulneráveis. Permanecem no ninho até serem desmamados.

Bibliografia:
http://reptossaurus.blogspot.com.br/2011/06/ornitorrinco-um-mamifero-com.html
https://www.mundodosanimais.pt/mamiferos/ornitorrinco/

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