Assonância

Por Paula Perin dos Santos
Segundo Orlando Pires, a assonância consiste na repetição da vogal tônica ou vocábulos com consoantes iguais e vogais distintas.

Veja os exemplos:

“Pássaro da lua

que queres cantar

nessa terra tua

sem flor e sem mar?”

(Cecília Meireles)

Nesses versos, a assonância se apresenta na repetição da vogal tônica “e” (queres, nessa, terra, sem), nas vogais “ua” (lua, tua) e na vogal “a” (pássaro, cantar, mar).

“A bela bola

rola:

a bela bola de Raul”.

(Cecília Meireles)

Nessa estrofe, os vocábulos são assonantes, pois apresentam consoantes iguais e vogais diferentes (bela, bola).

“É a moda

da menina muda

da menina trombuda

que muda de modos

e dá medo”.

(Cecília Meireles)

Nos versos acima, a assonância se apresenta através de consoantes iguais e vogais distintas (moda, muda, modos, medo).

Outros exemplos de assonância:

“Com seu colar de coral (repetição da vogal tônica)

Carolina

corre por entre as colunas (vogais diferentes entre consoantes idênticas)

da colina”.

(Cecília Meireles)

Tanta Tinta

Ah! Menina tonta

toda suja de tinta

mal o céu desponta!

(Sentou-se na ponte,

muito desatenta...

E agora se espanta:

Quem é que a ponte pinta

com tanta tinta?...)

A ponte aponta

e se desaponta

A tontinha tenta

limpar a tinta

ponto por ponto

e pinta por pinta...

Ah! a menina tonta!

Não viu a tinta da ponte.

(Cecília Meireles)

Neste poema, a assonância ocorre nos dois casos citados: na repetição das vogais tônicas nasais “an, en, in, on”, como também se apresenta com consoantes iguais e vogais distintas. Observe:

Tanta                        aponta

Tenta                        a ponte

Tinta                         pinta

Tonta                        ponte

ponto

desponta

Desatenta              desaponta

espanta

Esse recurso estilístico é muito utilizado na poesia, e constitui um importante elemento na intensificação da musicalidade dos versos.

Referências:
Literatura em Minha casa: Meus primeiros versos. Vol. 4. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2001.

PIRES, Orlando. Manual de Teoria e Técnica Literária. Rio de Janeiro, Presença, 1981, p. 91.