Assonância

Mestre em Linguística, Letras e Artes (UERJ, 2014)
Graduada em Letras - Literatura e Língua Portuguesa (UFBA, 2007)

A assonância está definida pela gramática como uma figura de som ou de harmonia. Isto porque ela produz um efeito harmônico na frase ou no verso, elaborada pela repetição intencional dos sons das vogais, idênticos ou semelhantes, dentro do texto. Por esta repetição vocálica, a assonância é uma ferramenta de escrita, constitui-se como uma forma típica poética, oferecendo fundamento para elaborar rimas e com isso, o texto fluir melódico para o leitor/ouvinte. Conforme o exemplo da poesia de João Cabral de Melo Neto do livro “A educação pela Pedra”

Vale destacar que a composição, através do uso dos recursos sonoros, transforma o elemento conceitual em elementos sensorial e até emotivo, ou seja, confere à realidade representada na linguagem sensações ao leitor e ao ouvinte. Vejamos como isso ocorre na música à seguir:

Vilarejo

Há um vilarejo ali
Onde areja um vento bom
Na varanda, quem descansa
Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração
Lá o mundo tem razão
Terra de heróis, lares de mãe
Paraíso se mudou para lá
Por cima das casas, cal
Frutas em qualquer quintal
Peitos fartos, filhos fortes
Sonhos semeando o mundo real

Toda gente cabe
Palestina, Xangri-
Vem andar e voa
Vem andar e voa
Vem andar e voa

Lá o tempo espera
Lá é primavera
Portas e janelas ficam sempre abertas
Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão
Flores enfeitando
Os caminhos, os vestidos, os destinos
E essa canção
Tem um verdadeiro amor
Para quando você for

Ao realizar a audição da música torna-se perceptível como as ênfases nas vogais, acima destacadas, causam uma espécie de prazer sonoro, por seu jogo harmônico e rimas elaboradas adequadamente.

Bibliografia:

ILARI, Rodolfo. Introdução à Semântica – brincando com a gramática. 3. ed. – São Paulo: Contexto, 2002.

ILARI, Rodolfo. Introdução ao estudo do léxico – brincando com as palavras. – São Paulo: Contexto, 2002.

GARCIA, Maria Cecília. Minimanual compacto de gramática da língua portuguesa: teoria e prática – 1. ed. – São Paulo: Rideel, 2000.

CUNHA, Celso e CINTRA, Luís F. Lindley. Nova gramática do português contemporâneo. – 2. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. – 37. ed. rev., ampl. e atual. – Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.

HILST, Hilda. Cantares. – São Paulo: Globo: 2004. – (Obras reunidas de Hilda Hilst)

CAMARA JR., Joaquim Mattoso. Estrutura da língua portuguesa. Petrópolis: Editora Vozes. 1977.

ADICHIE, Chimamanda Ngozi. Para educar crianças feministas um manifesto. Tradução: Denise Bottmann. – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

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