Verbos Regulares e Irregulares

Por Ana Paula de Araújo
Cada verbo da língua portuguesa possui sua conjugação, ou seja, cada verbo se flexiona utilizando as desinências, que são os morfemas que, associados aos verbos, nos dizem em que tempo, pessoa, número e modo eles estão. Um verbo regular utiliza sempre os mesmos morfemas para indicar que está em determinada pessoa, número, tempo e modo, vejamos:

Verbos regulares da 1ª  conjugação:

  • Eu canto
  • Tu cantas
  • Ele canta
  • Nós cantamos
  • Vós Cantais
  • Eles Cantam
  • Eu amo
  • Tu amas
  • Ele ama
  • Nós amamos
  • Vós amais
  • Eles amam
  • Eu falo
  • Tu falas
  • Ele fala
  • Nós falamos
  • Vós falais
  • Eles falam

Observemos que o radical se repete sem alterações e que as desinências também se repetem. Na primeira pessoa do plural (nós), no presente do indicativo, sempre utiliza-se o morfema –amos.

Vejamos o mesmo com verbos regulares da 2ª conjugação:

  • Eu conheci
  • Tu conheceste
  • Ele conheceu
  • Nós conhecemos
  • Vós conhecestes
  • Eles conheceram
  • Eu vivi
  • Tu viveste
  • Ele viveu
  • Nós vivemos
  • Vós vivestes
  • Eles viveram
  • Eu comi
  • Tu comeste
  • Ele comeu
  • Nós comemos
  • Vós comestes
  • Eles comeram

Da mesma maneira, observamos que no caso dos verbos regulares, repetem-se os radicais e são acrescentados sempre os mesmos morfemas para marcar as flexões do verbo.

E os verbos irregulares, o que seriam? Fica fácil de deduzir, não  é verdade? São aqueles que não correspondem a esta regularidade mostrada acima, que sofrem alguns acidentes e que tem os seus morfemas modificados, de modo que não podemos estabelecer um paradigma entre eles, nem prever que forma as desinências tomarão, pois vieram sendo modificadas ao longo do tempo, por conta da evolução da nossa língua.

Vejamos alguns verbos irregulares listados por Rocha Lima¹ em cada conjugação:

1ª  conjugação

ESTAR

Nem todas as suas formas verbais são irregulares. O pretérito imperfeito do indicativo, por exemplo, é regular (estava).

Estou, estaremos, estivemos, etc.

DAR

Presente do indicativo: dou, dás, dá, dão.

Pretérito perfeito: deste, deu, demos, dei, deram.

VERBOS TERMINADOS EM –EAR E –IAR.

Passear, Principiar, Mobiliar, Apiedar-se, Aguar, Desaguar, Enxaguar, Minguar, Magoar, Obviar, etc.

2ª  conjugação

CABER

Presente do indicativo: caibo.

Pretérito perfeito: coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam.

CRER

Presente do indicativo: creio, crês, crê, cremos, credes, crêem.

OUTROS:

Dizer, Fazer, Ler, Perder, Poder, Querer, Saber, Trazer, Valer, Ver.

3ª  conjugação

MEDIR, PEDIR, OUVIR

Apresentam irregularidade do radical na primeira pessoa do singular do presente do indicativo; no presente do subjuntivo; e nas pessoas do imperativo que são tiradas do presente do subjuntivo.

Presente do indicativo: peço, meço, ouço.

IR, VIR

Ambos apresentam violenta irregularidade.

Presente do indicativo: vou, vais, venho, vens, ides, vindes.

Pretérito imperfeito: ia, vinha, ias, vinhas, íeis, vínheis.

RIR

Presente do indicativo: rio, ris, ri, rimos, rides, riem.

Futuro do presente: rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão.

VERBOS ANÔMALOS

São verbos que possuem mais de um radical, é o caso dos verbos ser e ir.

Eu  fui, vou, irei

Tu  foste, vais, irás

Ele  foi, vai, irá

Nós  fomos, vamos, iremos

Vós  fostes, vades, ireis

Eles  foram, vão, irão

Eu  sou, fui, serei

Tu  és, foste, serás

Ele  é, foi, será

Nós  somos, fomos, seremos

Vós  sedes, fostes, sereis

Eles  são, foram, serão

VERBOS DEFECTIVOS

São verbos que não têm conjugação completa. Por algum motivo específico, ou mesmo pelo simples desuso de alguns tempos, modos ou pessoas, não aparece uma ou mais das formas conjugadas. Vejamos alguns exemplos:

CHOVER, NEVAR, TROVEJAR – por serem impessoais, não aparecem na primeira pessoa: “trovejo”, “nevo”, “chovemos”.

ABOLIR, FALIR – não apresentam a primeira pessoa do singular do presente do indicativo. Não há nenhum motivo específico, mas supõe-se que é pelo fato de o primeiro causar um som não muito agradável (eufonia) e de o segundo coincidir com a mesma forma do verbo falar.

Fontes:

ROCHA LIMA, Carlos Henrique da. Gramática Normativa da Língua Portuguesa. 45ª ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2006.