Ateísmo

Por Ana Lucia Santana
Desde tempos ancestrais, há pessoas que colocam em dúvida a existência de Deus, de qualquer ser sobre-humano. Há uma antiga controvérsia, que na verdade persiste até nossos dias, na qual um determinado grupo religioso acusa outro de ateísmo por não compartilhar de suas crenças. Foi assim com as autoridades romanas em relação ao nascente Cristianismo, e também ocorreu o mesmo com a doutrina cristã no que diz respeito aos seus algozes e, igualmente, aos considerados heréticos. Em seu sentido mais amplo, porém, ele simboliza todos os que não creem em uma entidade divina.

Não há, pelo menos no estágio em que a Humanidade se encontra, como provar cientificamente a existência ou não de Deus, portanto a única evidência que os espiritualistas podem opor aos materialistas é sua própria fé. Geralmente são justamente aqueles que se dedicam à Ciência que se proclamam ateus, porque não conseguem aceitar que algo possa existir e não ser comprovado pelos métodos científicos. Além disso, acreditam que podem criar tão bem quanto qualquer suposta divindade.

Também entre os materialistas há correntes distintas. Assim, encontramos os ateus agnósticos, ou fracos, que buscam provar a realidade divina, questionando assim a existência de Deus; os ateus céticos ou fortes, os quais realmente não aceitam que Deus exista, e por uma ou outra razão eles se rebelam contra a idéia de um ser superior invisível, e não provado pela Ciência. Os primeiros são apenas céticos, enquanto os segundos defendem concretamente a não existência de Deus. Os ateus, principalmente esta última categoria, não levam em conta a natureza divina da vida. Esta forma de ver a realidade nasceu na Europa, durante os tempos antigos, ganhando mais força na Idade Moderna, quando o mundo ressurgia das trevas do fanatismo medieval, e na Era Contemporânea, nas esferas da cultura, da filosofia, da política e da sociedade.

O racionalismo vigente durante o Renascimento deu o alento necessário ao desenvolvimento do Ateísmo. É neste momento que a Ciência também tem o seu momento maior de crescimento. Na esteira do progresso econômico, científico e humanístico, vários questionamentos surgem, inclusive com a razão sobrepondo-se aos fenômenos de ordem transcendental. Até mesmo os políticos deixam de ter ascendência divina, e o Estado se seculariza. No Período Contemporâneo, a Revolução Industrial dá espaço para o surgimento do Capitalismo com força total. A partir de então, o Ateísmo imprime suas marcas em movimentos filosóficos e político-sociais. O número dos ateus cresce cada vez mais, só perdendo para os cristãos em termos de adeptos. Ao que parece, há inclusive dados históricos sobre povos que nunca acreditaram em nenhum deus, como os esquimós. É em dados como estes que os ateus se baseiam para justificar suas premissas.