Huguenotes

Recebia o nome de huguenote todo o seguidor da religião protestante na França. Eram na maioria calvinistas (acreditavam nos ensinamentos de João Calvino) e membros da Igreja Reformada. A origem do termo é creditada aos católicos franceses, que o teriam criado baseando-se no nome de Besançon Hugues, líder religioso suíço.

Durante maior parte do século XVI, os huguenotes foram alvo de uma perseguição feroz, que culminou em guerras civis religiosas. No reinado de Henrique II (1547-1559), os huguenotes formam um grupo político numeroso e influente, tornando-se o centro das disputas políticas e religiosas dentro do país. À medida que eles se tornavam mais fortes, eram mais perseguidos pelo governo católico. Grandes personalidades do cenário político internacional eram huguenotes, como Antônio (rei de Navarra), Luís I de Bourbon de Condé e o almirante Gaspar de Coligny. Do lado oposto estava a família Guise, que liderava o grupo católico, de forte influência sobre o rei Francisco II, filho de Henrique.

Com a morte de Francisco II assume a coroa Carlos IX, mas é a rainha-mãe, Catarina de Médici, que passa a exercer o poder de fato. Durante algum tempo ela defendeu os huguenotes como uma forma de contrabalançar a influência dos Guise. Catarina, porém, passou a temer que o almirante Coligny estivesse influenciando demasiadamente seu filho e aliou-se ao duque de Guise.

Na madrugada de 24 de Agosto de 1572 os sinos da catedral de Saint Germain-l’Auxerrois* anunciaram o dia do apóstolo Bartolomeu, supostamente martirizado nessa data. Ao mesmo tempo, as forças católicas tramavam um massacre de grande parte da população protestante. Entre 3 e 10 mil huguenotes foram atraídos a Paris para um casamento real que supostamente poria um fim às guerras religiosas que se travavam ao longo de duas décadas, mas acabaram assassinados no que ficou conhecido como "Massacre da noite de São Bartolomeu", episódio infame na história da França.

Pouco depois, porém, em 1598, Henrique IV, necessitado do apoio huguenote, baixou o Édito de Nantes, pelo qual concedia aos protestantes franceses liberdade de culto em cerca de 75 cidades e vilas onde prevalecia o calvinismo, além de completa liberdade política.

Mais tarde, Luís XIV perseguiria os protestantes novamente, levando muitos à fuga. Ele revogou o Édito de Nantes (supostamente irrevogável) em 1685, tornando o protestantismo ilegal com o Édito de Fontainebleau. Depois disto, muitos Huguenotes fugiram para os países protestantes vizinhos como a Prússia, cujo rei Frederico Guilherme era calvinista e lhes acolheu, na esperança de reconstruir seu país destruído e despovoado pela guerra. Muitas das palavras de origem francesa no vocabulário alemão (exemplo: portemonaie - porta-moedas - ou enquete - inquérito) foram introduzidas pelos huguenotes residentes na Prússia. Em 1687, um grupo de huguenotes velejou da França até o Cabo da Boa Esperança, onde implantaram a cultura da uva, dando origem na África do Sul a uma indústria vinícola que é destaque no mundo todo.

Bibliografia:
ORLANDI, Ricardo. Hoje na História - Perseguição e Dispersão dos Huguenotes: um grupo veleja desde a França em direção ao Cabo da Boa Esperança. Disponível em: http://www.ricardoorlandini.net/hoje_historia/ver/7898/perseguicao_e_dispersao_dos_huguenotes_um_grupo_veleja_desde_a_franca_em_direcao_ao_cabo_da_boa_esperanca >. Acesso: 10/02/13.

Huguenotes. Disponível em: < http://www.klickeducacao.com.br/2006/enciclo/encicloverb/0,5977,POR-4870,00.html >. Acesso: 10/02/13.

SILVA, Palmira F. O massacre dos huguenotes em Paris, em agosto de 1572. Disponível em: < http://www.portalentretextos.com.br/colunas/recontando-estorias-do-dominio-publico/o-massacre-dos-huguenotes-em-paris-em-agosto-de-1572,236,8493.html >. Acesso: 10/02/13.

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