Teologia

Pós-doutorado em História da Cultura (Unicamp, 2011)
Doutor em Ciências da Religião (Umesp, 2001)
Mestre em Teologia e História (Umesp, 1996)
Licenciado em Filosofia (Unicamp, 1992)
Bacharel em Teologia (Mackenzie, 1985)

Teo, do grego θεóς [theos], significa deus, divindade, com o sentido de verdade, essência da verdade, fé ou caminho da verdade de alguma divindade. Logos λóγος é palavra, estudo; disso deriva Teologia como estudo sistemático da palavra, análise, discurso sobre algo.

Teologia é o estudo sistemático sobre a divindade, sua essência, atributos e existência. Estuda sistemas de crenças religiosas, podendo ser diferentes teologias (judaica, islâmica, cristã etc.) e pode ainda ser o conjunto ou consenso de doutrinas de determinadas religiões, tratados fundamentais sobre escritos cristãos, islâmicos ou judaicos. É o estudo da existência de Deus, conhecimento da divindade e questões a ela relacionadas, bem como suas relações com a humanidade.

Bíblia de Lutero, editada em 1534. Foto: Torsten Schleese / via Wikimedia Commons

Teologia estuda as religiões num contexto histórico, pesquisa e interpreta textos sagrados, fenômenos religiosos, tradições religiosas, doutrinas e dogmas, ética e moral, conforme influenciam as áreas do conhecimento e as ciências humanas (História, Antropologia, Sociologia, Psicologia etc.).

O termo teologia surgiu na Grécia Antiga, com os pré-socráticos. Platão estudou os mitos à luz da filosofia, fazendo uma passagem do mito ao logos. Aristóteles chamou Homero e Hesíodo de teólogos (criadores de mitos), poetas narradores dos feitos dos deuses e chamou o estudo metafísico do ser (ente) de teologia ou filosofia primeira e a mais elevada de todas as ciências.

A Teologia foi adotada no cristianismo como conhecimento sobre Deus (sabedoria), com Santo Agostinho (séculos 4 a 5) e seu conceito de teologia natural, acima da qual colocou a Teologia Sobrenatural (theologia supernaturalis) baseada nos dados da revelação, situada fora do campo de ação da filosofia e a subordinando como uma serva da teologia (ancilla theologiae) que ajuda na compreensão de Deus. No século 18, a Teologia foi definida como o estudo das manifestações sociais de grupos em relação às divindades (Hegel).

Uma ciência ou área do conhecimento tem seus objetos de estudo definidos. Em teologia, isso não ocorre porque Deus não é objeto, ou melhor, não é possível estudar Deus diretamente, mas estuda aquilo que se pode observar e se torna atual, as representações sociais do divino nas mais diversas culturas. Há várias religiões às quais a teologia se refere, existindo, então, diferentes teologias (cristã, umbandista, judaica, budista, católica, protestante, islâmica etc.).

A Teologia pode ser sistemática (ou dogmática), organizando-se em temas, fatos teológicos e forma um sistema de estudos específicos. Há a teologia bíblica, que estuda textos com base na arqueologia, história e geografia dos tempos bíblicos.

A Teologia Reformada estabelece sistemas de crença com raízes na Reforma Protestante (século 16), baseando-se em Lutero, Calvino, outros reformadores e documentos daquele período. Não é uniforme e tem diferentes manifestações: presbiteriana, luterana, congregacional, batista, metodista etc.

A Teologia Contemporânea estuda os tempos atuais, foi criada por Karl Barth, início do século 20, para reaver a natureza e sentido da Bíblia como padrão de fé e prática da igreja, como o estudo de Deus no contexto atual e a evolução dos dogmas e dos pensamentos formados a respeito das doutrinas bíblicas no contexto que estamos inseridos. Recebe influência de outras tendências teológicas: bíblica, católica, protestante, natural e especulativa – e recebeu designações diversas, conforme as direções que tomou: teologia modernista, neomodernista, da esperança e do Evangelho Social.

A Teologia da Libertação é corrente teológica humanista, fundada pelo peruano Gustavo Gutierrez, interpreta a Bíblia através do sofrimento dos pobres e pela luta a favor da libertação das comunidades cristãs diante das injustiças sociais. Com tendências marxistas, praticadas pelos bispos e sacerdotes da América Latina foi criticada pela hierarquia católica, por apoiar revoluções violentas e lutas de classes.

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