Antropologia

Mestre em Sociologia (UnB, 2014)
Graduado em Ciência Política (UnB, 2010)

Etimologicamente, o termo antropologia deriva das palavras gregas “anthropos” (ser humano) e “logos” (ciência, estudo, conhecimento) e significa o estudo do ser humano. O objetivo da Antropologia é buscar um entendimento amplo, comparativo e crítico dos seres humanos, seus conhecimentos e formas de ser.

A antropologia abrange o estudo do ser humano como ser cultural, fazedor de cultura. Investiga as culturas humanas no tempo e no espaço, suas origens e desenvolvimento, suas semelhanças e diferenças. Tem seu foco de interesse voltado para o conhecimento do comportamento cultural humano, adquirido por aprendizado social. A partir da compreensão da variedade de procedimentos culturais dentro dos contextos em que são produzidos, a antropologia, como o estudo das culturas, contribui para erradicar preconceitos derivados do etnocentrismo, fomentar o relativismo cultural e o respeito à diversidade.

Apesar da grande variedade dos seus campos de interesse, a antropologia se constituiu como um campo científico específico, que se articula teórica e metodologicamente com outras áreas do saber (como a história, filosofia, sociologia, psicologia, biologia e direito), mas conserva sua unidade, uma vez desenvolveu métodos particulares para investigar o ser humano e suas diversas formas culturais, comportamento e vida social.

A etnografia é o método próprio de trabalho da antropologia. O objetivo da etnografia é o de descrever as vidas das pessoas, com precisão e profundidade, através da observação detalhada, obtida principalmente através do trabalho de campo. A partir da observação de fatos e fenômenos in loco, o antropólogo coleta, analisa e interpreta dados e aspectos culturais com o intuito de examinar como se dá a vida social na realidade cotidiana de determinados indivíduos e grupos. O método etnográfico é então um estudo e registro descritivo das características culturais de um determinado grupo social.

Todas as sociedades humanas passadas e presentes, extintas ou existentes, interessam ao antropólogo. Nesse sentido, algumas divisões apontam para a existência de subáreas da Antropologia, como a arqueologia (estudo das culturas extintas), a etnografia (descrição das sociedades humanas), a etnologia (comparação entre as culturas existentes), a linguística (estudo das linguagens) e o folclore (manifestações culturais tradicionais).

Os antropólogos se interessam tanto pelos grupos sociais mais simples, culturalmente diferenciados, quanto por grupos culturais que existem dentro da sua própria sociedade. Atribui-se ao antropólogo a tarefa de formular princípios explicativos da formação e desenvolvimento das culturas humanas.

A antropologia surgiu como ciência no início do século XX, com a sistematização dos estudos sobre culturas consideradas “exóticas”. No Brasil, a antropologia se desenvolveu através dos estudos de pesquisadores europeus sobre as sociedades indígenas no território brasileiro. A partir da década de 1960, os antropólogos passaram a se dedicar ao estudo de outros grupos culturais e identitários de nossa sociedade, no âmbito antropologia urbana. Assim, os temas antropológicos saíram das margens e passaram a ter visibilidade e reconhecimento do seu papel político. Atualmente, a antropologia está inserida nos debates das grandes questões nacionais e é importante em diversas frentes, como por exemplo, na mediação da relação entre povos indígenas e populações tradicionais com o Estado brasileiro.

Bibliografia:

INGOLD, Tim. Antropologia não é etnografia. In: Ingold, Tim. Estar Vivo - ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. Petrópolis: Ed. Vozes, 2015.

LARAIA, Roque de Barros. Cultura: Um conceito antropológico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1997 [1986]. 11ª edição.

MAGNANI, José Guilherme. Etnografia como prática e experiência, Horizontes Antropológicos, v.15, n.32, 2009, p.129-156.

MARCONI, Marina de Andrade; PRESOTTO, Zelia Maria Neves. Antropologia: uma introdução; São Paulo: Atlas, 2010. 7ª edição.

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