Morte

Por Ana Lucia Santana
A morte do corpo está relacionada, convencionalmente, ao fim da existência de um organismo, à extinção do funcionamento da vitalidade neste receptáculo físico. O corpo não reage mais aos estímulos externos, portanto, torna-se dispensável, o ser não precisa mais deste revestimento carnal.

Simbolicamente, a morte é associada a uma figura portando uma foice, a um Anjo que vem buscar a alma humana, à coloração negra, a um túnel que tem ao fundo uma intensa luz, entre outras imagens alegóricas.

Morte Física

Este evento, tão presente na Natureza, na forma da renovação, dos ciclos, dos dias e noites que nascem e renascem, do início e fim de cada estação, das etapas existenciais de cada ser vivo, atinge também a Humanidade. Até hoje é difícil para o Homem aceitar a morte, o que reflete também nas dificuldades de se estabelecer o momento exato do falecimento de uma pessoa.

Alguns consideram fundamental saber a hora exata desta ocorrência, seja por motivos burocráticos, como preencher adequadamente o atestado de óbito, liberar mais rapidamente o corpo, porém com a segurança de que ele está realmente morto, bem como para encontrar psicologicamente a atitude correta diante deste evento. Também é essencial determinar com exatidão este momento, no caso de transplantes de órgãos, para que este seja realizado em tempo hábil.

Ao longo da História, o instante do falecimento foi determinado conforme o progresso científico concretizado pela Humanidade. A princípio, a cessação dos batimentos cardíacos e da respiração eram suficientes para se detectar a presença da morte. Com o tempo, porém, surgiram métodos cada vez mais aperfeiçoados de ressuscitação cardiopulmonar e técnicas de desfibrilação, revolucionando o conhecimento que até então se tinha sobre a morte biológica.

Concluiu-se que a percepção até então desenvolvida estava equivocada, pois tanto a pulsação cardíaca quanto a respiração podiam ser devolvidas à pessoa aparentemente morta. Passou-se então a adotar como critério a chamada ‘morte clínica’, ou morte cerebral, bem como uma parada cardíaca sem possibilidade de reversão, para o estabelecimento do momento do óbito. Devido a estas incertezas, a maioria dos hospitais exige mais de uma ratificação médica no momento de determinar ou não a morte de alguém. É possível também que a morte vá ocorrendo aos poucos, em vários momentos, e seja, portanto, uma soma desses instantes de desligamento corporal.

Diante da Morte

O momento da morte tem sido debatido, ao longo da história, por religiosos, cientistas, pessoas diversas. Nos primórdios da Humanidade, estas questões eram relegadas ao domínio da magia, do misticismo, do sobrenatural. O Homem sempre se viu diante deste desconhecido, adotando diferentes posturas diante dele com o decorrer do tempo, conforme a época, o contexto, a cultura em questão. Com certeza, pensar sobre isto leva as pessoas a levantar inúmeras teses. Na verdade, todos temem o que não conhecem, e muitas vezes procuram ocultar este medo das mais diversas formas, desde a negação até recursos místicos.

Pensar sobre a morte ou vivenciar sua possibilidade - seja no plano pessoal, ou na esfera de pessoas muito próximas -, pode despertar emoções as mais variadas, desde confusão e dor, raiva e mágoa, até calma e tranqüilidade, sentimentos que apelam à razão, bem como impulsos irracionais. Assim, a cessação da existência no plano físico pode ter repercussões distintas entre seres diferentes. Normalmente, porém, é impossível não ter o sentimento de separação irreversível, de perda do contato com a pessoa amada, o que naturalmente provoca dor, a qual pode se refletir inclusive no organismo físico.

A morte está inextricavelmente ligada à vida, portanto a ocorrência de uma leva conseqüentemente à meditação sobre a outra. Pacientes terminais costumam refletir profundamente sobre suas existências, procurando muitas vezes, conforme o tempo disponível, e as condições orgânicas, concretizar atitudes que até então permaneciam latentes, adormecidas no campo das ideações. Nem todos têm esta oportunidade, e despertam para as realizações de suas vidas quando já não há mais possibilidade de atuação na esfera material.

Diante da morte, hindus acendem uma pequena labareda para orientar o espírito que se desliga do corpo, oferecendo a ele um recanto onde ele pode permanecer por algum tempo, até estar apto a seguir em frente. Neste momento, a chama é mergulhada no mar, o sinal necessário para que a alma se desligue e parta. Já os pigmeus definitivamente não aceitam a morte, pois sempre que um ser morre, sua habitação é abatida sobre o corpo, todos se transferem para outro refúgio, e não se menciona mais a existência do morto.

Na Jamaica há festa quando alguém falece, ao longo de nove noites depois da morte. Os mexicanos também celebram esta passagem, com a diferença de que o fazem no Dia dos Mortos. Todo o país é enfeitado com caveiras e pratos especiais são preparados para os mortos. Da mesma forma, cada cultura tem sua forma de encarar e enfrentar a morte, bem como cada pessoa diante deste fenômeno.

Fontes
http://pt.wikipedia.org/wiki/Morte
http://gballone.sites.uol.com.br/voce/morte1.html
Como Viver Eternamente – Sally Nicholls – Geração Editorial – São Paulo – 231 pp.