Congestão

Por Débora Carvalho Meldau
Congestão, também denominada de congestão passiva ou hiperemia passiva, é um aumento local de volume de sangue nos vasos de determinadas partes do corpo. Essa condição resulta da obstrução do retorno venoso, que pode ser um evento ou um fenômeno generalizado.

A congestão local passiva pode ocorrer como uma consequência da obstrução completa ou parcial de veias que drenam determinada parte do organismo. Bandagens aplicadas demasiadamente apertadas, trombose venosa e pressão decorrente de neoplasias são exemplos de causas.

A causa da congestão hipostática é a gravidade. Por exemplo, ocorre uma congestão frequentemente bastante perceptível, dos órgãos e tecidos no lado inferior de um animal em decúbito, especialmente em animais de grande porte onde há uma forte tendência para que o sangue desça para a parte mais baixa do corpo. Essa ocorrência pode evoluir para a morte do animal.

Insuficiência cardíaca causa congestão passiva generalizada. No caso de uma combinação de insuficiências cardíacas direita e esquerda, todos os sistemas são afetados. No caso de insuficiência do lado esquerdo, a congestão fica principalmente evidente na vasculatura pulmonar, e no caso de insuficiência do lado direito, os vasos pulmonares são preservados, mas ocorre congestão passiva por todo restante de corpo (particularmente fígado, baço e partes baixas).

Macroscopicamente, a parte congesta fica ligeiramente inchada e tende a ter uma coloração vermelho-azulada, característico de cianose. Normalmente, a parte fica mais úmida que o normal, devido ao edema e, se a congestão é crônica, pode ficar firme em decorrência da fibrose que se instala. No indivíduo vivo, a temperatura da região afetada pode ficar perceptivelmente mais baixa do que o normal.

Microscopicamente, os capilares e veias estão dilatados e cheios de sangue; do mesmo modo, os espaços sanguíneos sinusóides do fígado e baço encontram-se ocupados por sangue quando há envolvimento desses órgãos. O edema pode ser extenso, especialmente no caso de congestão dos pulmões, onde os alvéolos ficam cheios de líquido. Pequenas hemorragias ocorrem em função da ruptura de capilares; nos pulmões, eritrócitos extravasados são englobados pelos macrófagos alveolares, sendo convertido em hemossiderina.

A hipóxia gera uma necrose do tecido parenquimatoso, que, no caso de uma insuficiência cardíaca aguda pode resultar em intensa necrose centrolobular hepática (ficando com aspecto denominado fígado em noz moscada). No caso de uma congestão passiva crônica, a perda do tecido parenquimatoso é mais insidiosa, e o tecido conjuntivo fibroso circunda as veias e substitui o parênquima perdido. Isso resulta em cirrose hepática e no chamado endurecimento castanho do pulmão, consequência da fibrose dos septos alveolares e da presença de células da insuficiência cardíaca.

Fontes:
Patologia Veterinária – Ronald Duncan Hunt, Thomas Carlyle Jones, Norval King. Editora Manole, 6° edição.