Índios do Brasil

Por Thais Pacievitch
Os grupos indígenas aqui encontrados pelos europeus em 1500, tinham como características comuns a ausência do conceito de propriedade material, visto que não se interessavam pela acumulação pessoal de riqueza. Agrupavam-se em nações, tribos e aldeias, onde viviam em ocas. O trabalho era dividido segundo o sexo e a idade. A família podia ser monogâmica ou poligâmica. Os índios deixaram uma forte herança cultural nos alimentos, ensinando os europeus a comer mandioca, milho guaraná, palmito, a utilizar redes e canoas, armadilhas para pesca e caça, ensinaram técnicas de como trabalhar a cerâmica e a preparação de farinha, bem como a utilização de tabaco e o hábito de tomar banho diariamente.

Quando se observa o mapa da distribuição dos povos indígenas no território brasileiro atual, podem ser vistos claramente os reflexos dos movimentos de expansão político-econômica ocorrida historicamente. Os povos que habitavam a costa oriental, em sua maioria índios que usavam o tronco lingüístico tupi-guarani, foram dizimados, dominados ou obrigados a refugiar-se nas terras do interior para evitar o contato. Hoje, somente os Fulni-ô (de Pernambuco), os Maxakali (de Minas Gerais) e os Xokleng (de Santa Catarina) conservam sua língua. Curiosamente suas línguas não são do macro-tupi, mas pertencentes a três famílias diferentes ligadas ao tronco macro-gê (outro tronco lingüístico). Os guaranis, que vivem em diversos estados do sul e do sudeste brasileiro e que também conservam sua língua, migraram do oeste para o litoral há pouco tempo. As outras sociedades indígenas que vivem no nordeste e sudeste do país perderam suas línguas e só falam português, utilizando, só em alguns casos, palavras isoladas e usadas em rituais ou outras expressões culturais. A maior parte das sociedades indígenas que conseguiram preservar seus idiomas vive atualmente no norte, centro-oeste e sul do Brasil.

Estima-se que, quando os portugueses chegaram ao Brasil, havia aqui uma população de 6 milhões de índios. Depois de escravizá-los, catequizá-los (contra sua vontade) e matá-los, em 1950 havia entre 70 e 100 mil.

Hoje, vivem cerca de 460.000 índios, distribuídos em 225 sociedades indígenas, sendo, assim, 0,25% da população brasileira (estes dados demográficos dizem respeito aos índios que vivem em aldeias. Há informações de que existem de 100.000 a 190.000 vivendo fora das terras indígenas, incluindo áreas urbanas.