Guaraná

Mestrado em Ciências Biológicas (INPA, 2015)
Graduação em Ciências Biológicas (UFAC, 2013)

Guaraná é o fruto de uma espécie de liana nativa da região amazônica pertencente à família Sapindaceae cuja semente é utilizada para produção do guaraná em pó e xarope. Sua etimologia é derivada da palavra indígena “wara’ná” que significa árvore que sobe em outra.

O guaraná pertence a espécie Paullinia cupana Kunth e tem como sinônimo heterotípico Paullinia cupana var. sorbilis (Mart.) Ducke e Paullinia sorbilis T. Mart. O guaraná ocorre na região norte do Brasil, nos estados do Acre, Amazonas e Pará, estando presente em florestas ciliares, de terra firme e na várzea amazônica.

Fruto de guaraná (Paullinia cupana). Foto: guentermanaus / Shutterstock.com

É uma planta conhecida por ser cultivada pelos indígenas brasileiros há muito tempo principalmente em Maués, no estado do Amazonas. O Brasil é o único país a produzir guaraná em escala comercial e os principais estados produtores estão entre a Bahia, Mato Grosso, Amazonas, Acre e Pará. Do guaraná se utiliza os frutos, mais especificamente a semente, a qual é pilada e triturada após ser seca, originando o pó do guaraná. Os frutos são colhidos manualmente quando estão maduros e reunidos em recipientes onde é adicionado água para facilitar a separação da polpa e da semente. Após este tratamento as sementes são levadas para secarem ao sol e são transferidas para tachos de metal ou fornos de barro, onde serão torradas. Após o resfriamento, as sementes são acondicionadas em sacos de juta ou balaios de fibra vegetal e transportadas para outros centros, onde são transformadas em pó por meio de moinhos elétricos.

A Superintendência da Zona Franca de Manaus (SUFRAMA) faz a estimativa da produção de sementes de guaraná no país. Aproximadamente 70% do total da produção é absorvida pela indústria de refrigerantes e os 30% restantes abastecem o mercado interno e externo, na forma de pó, bastão, extrato e xarope. O pó de guaraná é utilizado na medicina popular como dietético alimentar, estimulante orgânico (por conter cafeína), analgésico, antipirético, antifermentativo, diurético, antioxidante, tônico vascular e considerado como elixir de longa vida. A cafeína, um dos compostos químicos do guaraná, é uma substância psicoativa, um alcaloide derivado metilado de bases purínicas, identificado com a estrutura 1,3,7-trimetilxantina, está presente nas sementes do guaraná e em outras cerca de 63 espécies de plantas. A investigação científica aponta para resultados positivos sobre os possíveis efeitos da ingestão de guaraná. Os resultados estão relacionados a uma melhora nos casos de doenças metabólicas cardiovasculares, ligadas ao metabolismo lipídico e oxidação de proteína de alta densidade, a atividade biológica antioxidante dos polissacarídeos, o efeito protetivo em fibroblaste NIH-3T3 e a melhoria de pacientes com câncer no seio submetidos a tratamento quimioterápicos.

Os extratos do guaraná e seu uso corrente como bebida e outras formas de consumo são considerados benéficos para a saúde humana. No entanto, em doses elevadas podem causar efeito citotóxicos. Doses de até 20 mg/mL do extrato de guaraná apresentam menores impactos sobre a viabilidade das células da linhagem NIH3T3, indicando menor toxicidade nesta faixa de doses. O consumo de guaraná teve um importante aumento, tanto no Brasil quanto no exterior. A estrutura química do guaraná é predominantemente insaturada, portanto, suscetível à oxidação. As tribos indígenas ainda usam o guaraná produzido em sua forma tradicional na forma de bastões defumados que são preparados artesanalmente a partir das sementes secas e trituradas em pilão de madeira e submetidos à defumação em fornos. Os indígenas ralam os bastões de guaraná na língua seca do peixe pirarucu para os rituais, durante as pescas e na caça de animais.

Referências bibliográficas:

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