Fruto

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2017)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2012)
Graduação em Biologia (UNITAU, 2006)

Publicado em 17/12/2018

Formado geralmente após a fecundação, o fruto é o ovário maduro, o qual pode incluir ou não algumas partes florais. No interior dos frutos geralmente estão localizadas as sementes, porém em algumas espécies o ovário pode originar frutos mesmo quando não há fecundação, levando a formação de frutos sem sementes. Esses frutos são chamados de partenocárpicos, tendo como exemplo a banana e a laranja-da-baía. Os frutos são estruturas típicas de angiospermas, exercendo um grande papel no ciclo reprodutivo, já que protegem as sementes e participam da dispersão.

A parede desenvolvida do ovário é chamada de pericarpo, que corresponde ao fruto propriamente dito. Este tecido envolve a semente, que é formada pelo tegumento (ou casca) e a amêndoa. O tegumento tem origem a partir dos tegumentos dos óvulos e a amêndoa é constituída pelo embrião e endosperma, o tecido de reserva de nutrientes para a germinação. O pericarpo é dividido em três camadas: o epicarpo, camada mais externa, originada da epiderme externa do ovário; mesocarpo, camada mediana, localizada entre o epicarpo e o endocarpo; e endocarpo, camada mais interna, formada a partir da epiderme interna do ovário (Figura 1). A diversidade de frutos é enorme dentro das angiospermas, sendo que estes podem variar quanto à sua forma, tamanho, número de sementes, tipo de abertura para a dispersão das sementes, entre outras características.

Figura 1 – Fruto de pêssego em que está destacado os principais componentes dos frutos. Ilustração: Nataliya Dolotko / Shutterstock.com [adaptado]

Quando maduros, os frutos podem ser classificados em carnosos ou secos. Os frutos carnosos apresentam um mesocarpo suculento, coriáceo ou fibroso. De acordo com o número de sementes, podem ser subdivididos em dois grupos: bagas e drupas. Em bagas, cujos exemplos são tomates, tâmaras, uvas, melão e abóbora, há a presença de um ou vários carpelos, cada um com muitas sementes livres, não aderidas ao endocarpo. Já nas drupas, também ocorre um ou vários carpelos, mas tipicamente está inserida apenas uma semente em cada, a qual está aderida ao endocarpo e é chamada vulgarmente de “caroço”. Manga, pêssego, amêndoa, azeitona, cerejas e ameixas são exemplos de fruto do tipo drupa. Os cocos também são classificados como drupas, porém possuem uma camada externa fibrosa em vez de carnosa.

Os frutos secos, como o próprio nome diz, possuem um pericarpo seco. Se a parede do pericarpo se abre quando o fruto está maduro, liberando as sementes, ele é classificado como deiscente. Dentro desta categoria estão os frutos do tipo legume, que se abrem por duas fendas longitudinais, como na vagem do feijão e da soja, sendo característico da família Fabaceae. Nos frutos do tipo síliqua, os seus dois lados se separam quando maduros, mantendo as sementes ligadas a uma porção central persistente, estando presentes na família da mostarda (Brassicaceae). O tipo mais comum de fruto seco é a cápsula, que se desenvolve a partir de dois ou mais carpelos, os quais exibem diversas formas para a liberação das sementes, como por aberturas longitudinais ou através de furos localizados na porção superior do fruto, variando de acordo com a espécie.

Em contrapartida, os frutos secos do tipo indeiscentes não se abrem quando maduros, mantendo as sementes no seu interior após a sua liberação da planta-mãe. Entre eles destaca-se o aquênio, um fruto pequeno que apresenta uma única semente que não se encontra aderida a parede do fruto, ocorrendo no girassol e no ranúnculo. O fruto do tipo cariopse também possui uma única semente, entretanto seu envoltório é firmemente unido à parede do fruto, como no trigo, em gramíneas e no arroz.

Referências bibliográficas:

Appezzato-da-Glória, B. & Carmello-Guerreiro, S.M. 2006. Anatomia Vegetal. 2ª ed. Viçosa: Ed. UFV, 438 p.

Raven, P.; Evert, R.F. & Eichhorn, S.E. 2007. Biologia Vegetal. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 830 p.