Patriarcalismo

Por Antonio Gasparetto Junior
O Patriarcalismo tem como definição ideológica a supremacia do homem nas relações sociais.

O termo Patriarcalismo é oriundo de Patriarcado, que, por sua vez, tem origem na palavra grega pater. A primeira vez que o termo foi usado com conotação de preponderância do homem na organização social foi pelos hebreus com o propósito de qualificação do líder de uma sociedade judaica. Mas o grego helenístico também já fazia menção ao termo, pois as mulheres eram concebidas como objetos de satisfação masculina e, conseqüentemente, julgadas como inferiores.

É errado dizer que na história da humanidade o homem sempre foi superior às mulheres nas relações sociais, pois, na verdade, o patriarcalismo apenas inverteu a ordem de supremacia, que em muitas civilizações tinha a mulher como superior, o matriarcalismo. Antes, os homens cultuavam uma Deusa Mãe.

A lógica patriarcalista estabeleceu o poder de uma autoridade religiosa masculina sobre seus subordinados. Mas estende-se também a situações em que os homens dominam familiares, empregados ou aspectos políticos de uma organização social. Assim, as pessoas passam a dever obediência à imagem do homem dominante.

O patriarca manteve o poder, ao longo da história, sobre qualquer indivíduo na organização social de que fazia parte. Poderia ser sua mulher, seus filhos, seus súditos, seus escravos ou seu povo. Cabendo-lhe o poder de decisões cruciais de forma inquestionável no seio da sociedade. Assim, na vigência do patriarcalismo, as relações humanas são estabelecidas em patamares desiguais e hierarquizados. O patriarca representa a autoridade maior determinando as condições que justificam seu status de superioridade e o status de inferioridade dos outros indivíduos.

As raízes do patriarcalismo, como dito, estão na Grécia Antiga. O período de supremacia do patriarcado permaneceu por vários séculos. Foi a Revolução Francesa que colocou em questionamento tal forma de organização da sociedade. O movimento francês defendia os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, abrindo novas portas para os indivíduos se posicionar no mundo. O movimento revolucionário acabou com a concepção massificadora que identificava as pessoas, permitindo o respeito a singularidade de cada um na rede social. Por tais motivos, a Revolução Francesa inaugurou uma nova fase na história da humanidade ocidental, marcando o início da chamada História Contemporânea. O historiador Barrington Moore Junior a enquadra na via das revoluções burguesas que conduziram a sociedade francesa para a modernização e estabelecimento de uma democracia capitalista. O resultado repercutiu no Ocidente e influenciou diversos outros povos, incluindo o Brasil.

De todo modo, o Patriarcalismo ainda está embutido no subconsciente das sociedades. Embora as Constituições ocidentais afirmem que há igualdade entre homens e mulheres e entre todos os indivíduos da sociedade, o Patriarcalismo ainda se manifesta de alguma forma. Suas raízes germinaram no ideário humano ao longo dos séculos e ainda hoje é preciso indicar as formas e as ocasiões em que aparece o efeito do patriarcado para fazer valer o ideal de igualdade entre as pessoas.

Fontes:
MOORE Jr. Barrington. As Origens Sociais da Ditadura e da Democracia.
http://www.scribd.com/doc/2326559/O-que-e-patriarcalismo-e-quais-suas-influencias-nos-dias-atuais