Positivismo

No início do século XIX, a Europa vivia um momento de transição para a modernidade, tornando-se cada vez mais urbana e industrial. É nesse contexto que nasce a corrente filosófica do positivismo, formulada pelo francês Auguste Comte.

Ainda que a ciência, a indústria e o capitalismo ganhassem cada vez mais espaço, seria equivocado pensar que as ligações com o antigo regime estavam completamente rompidas. Apesar das reformas políticas e econômicas, no campo das ideias o iluminismo ainda não era hegemônico e a Igreja continuava detendo imenso poder em definir o entendimento dos homens sobre o mundo. Comte vivia em Paris e, portanto, observava essas transformações desde de um ponto de vista privilegiado. Enquanto a maioria dos filósofos se empenhava em colaborar com a reformulação das instituições modernas, Comte estava convencido de que antes disso era necessária uma completa reforma intelectual dos homens, que fosse capaz de imputá-los uma nova forma de pensar condizente com o progresso científico. A essa nova forma de pensar, Comte deu o nome de positivismo.

Em 1830, Comte publica o Curso de Filosofia Positiva. Segundo ele, a visão positiva era aquela buscava explicar os fenômenos – naturais ou humanos – através de sua observação e da elaboração das leis imutáveis que os regiam. Para Comte, a perspectiva positivista vinha se estabelecendo em diferentes campos de conhecimento, cada qual em seu próprio ritmo. A procura de leis imutáveis teria acontecido pela primeira vez na Grécia Antiga, com a criação da astronomia e da matemática. Alguns séculos depois o mesmo aconteceria com outras disciplinas, como a biologia e a química.

Em um último estágio, Comte acreditava que era possível elaborar uma ciência capaz de estudar o comportamento humano coletivo seguindo os mesmos métodos das ciências naturais. O positivismo funda, então, a Sociologia, que a princípio recebeu o nome de “física social”. Sua função seria compreender as condições constantes e imutáveis da sociedade (a ordem) e também as leis que regiam seu desenvolvimento (o progresso). Não é coincidência que sejam exatamente estes os termos que aparecem hoje na bandeira do Brasil. Comte teve grande influência no mundo todo e suas ideias ganharam muitos seguidores no Brasil, especialmente entre intelectuais e militares, como Benjamin Constant e Luís Pereira Barreto. A presença dos positivista brasileiros foi notável no movimento republicano e na elaboração da Constituição de 1891. Nosso sistema de ensino também teve influências positivista.

Resumidamente, podemos dizer que o pensamento positivista fundado por Comte estabelece a ciência como o estudo das leis, do que é invariável, determinado e útil para o progresso humano. O positivismo trazia consigo um projeto político, que pretendia colocar a gestão da sociedade nas mãos de sábios e cientistas. Ainda tenha entrado em decadência no século XX, o positivismo influenciou obras importantes, como as de Émile Durkheim e John Stuart Mill.

A título de curiosidade, vale lembrar que nos últimos anos de sua vida Comte se dedicou a elaborar uma religião positivista. Com a razão e o conhecimento em seu centro, essa religião buscaria a unidade humana em nome da ordem e do progresso. Comte chegou a elaborar um calendário próprio, onde os meses ganhariam o nome de pensadores notáveis, que também seriam celebrados em feriados comemorativas. No Brasil, a Igreja Positivista ainda possui uma sede no Rio de Janeiro.

Referência bibliográfica:

COMTE, Auguste. Comte, vida e obra; seleção de textos de José Arthur Giannotti. Coleção Os Pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1978.

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