Sociedade de Massas

A Sociologia sempre se utilizou de metáforas para construir sua visão sobre a sociedade. Desde a sociedade como um organismo vivo de Spencer até a sociedade líquida de Baumann. A analogia “sociedade de massas” faz referência à uma forma de desenvolvimento do capitalismo, onde os desejos e os interesses de vida dos indivíduos são produzidos em massa, como em uma grande fábrica de pessoas. O conceito que melhor define a sociedade de massas é o de indústria cultural, desenvolvido pelos sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer (2002), da famosa Escola de Frankfurt.

Para estes pensadores, a indústria cultural atua como uma forma de padronização dos gostos e desejos dos seres humanos, voltando-os para o consumo, a vida para o trabalho e a diversão como forma de alienação, como uma forma dos homens não conseguirem reconhecer que são retirados de sua própria existência. A mídia e a propaganda atuam como principais elementos de massificação dos sujeitos. Pela mídia todos desejam imitar a “estrela” da vez ou cantar a música sucesso, mesmo que seja uma música que ofenda a mulher, a religião, a paz, dentre outros exemplos. Não se produz mais objetos para pessoas comprarem, mas pessoas que desejam comprar objetos, aumentando o lucro dos grandes empresários.

Outro autor que trabalha com a massificação é Félix Guattari (1990), psicólogo de tendência marxista.  Para este autor, a intenção do capitalismo moderno é a criação de grandes blocos subjetivos, em outras palavras, pessoas que pensam de forma parecida, diminuindo o confronto na sociedade e dirigindo-a para o consumo, para a não participação política e para o desejo de ser (ter) sempre mais. Quem lucra com uma sociedade onde se deseja apenas consumir, onde se deixa as decisões de poder para uma minoria e não se reflete sobre isso em sua estrutura mais intima, em sua casa, por exemplo, são os capitalistas, aqueles que ganham dinheiro em cima da venda de força de trabalho dos outros.

A sociedade de massas é uma sombra dos grandes movimentos nacionalistas do século XX, como o nazismo, fascismo, comunismo, que foi associado pelo capitalismo. Se antes, no nazismo, as massas eram irracionalmente direcionadas para a guerra contra pessoas que de fato não fizeram mal a elas, hoje elas são direcionadas para o consumo desenfreado, para os gostos padronizados. Em uma sociedade de massas, as pessoas quase “não tem rosto”, desejando apenas ser o novo jogador de futebol ou a nova dançarina.

Compreender os elementos que formam essa alienação é uma forma de fazer uma crítica aos mesmos, uma possibilidade de fuga que apenas a reflexão existencial, em conjunto com o ensino, pode permitir. Livros como Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, 1984 e a Revolução dos Bichos de George Orwell retratam este processo de massificação a partir da literatura.

Por: Rafael Ademir Oliveira de Andrade
Cientista Social e Mestrando em Educação. Professor de Sociologia da Educação no curso de Pedagogia e de Sociologia em diversos cursos do nível superior.

Referências:
ADORNO, Theodor e HORKHEIMER, Max. Indústria Cultural e Sociedade. Tradução de Julia Elisabeth Levy. São Paulo, Paz e Terra, 2002.
GUATTARI, Felix. As 3 Ecologias. Tradução Maria Cristina F. Bittencourt. Campinas, Papirus, 1990.

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