Sociedade de massas

Graduada em História (UFF, 2017)
Mestre em Sociologia e Antropologia (UFRJ, 2012)
Graduada em Ciências Sociais (UERJ, 2009)

O próprio termo sociedade de massa já faz referência a uma sociedade massificada, isto é, uma sociedade em que os indivíduos agem de forma semelhante com gostos e interesses praticamente padronizados. Hannah Arendt aponta que no século XX um novo tipo de homem pode ser identificado: homens que são moldados ideologicamente para agir de forma massificada, isto é, da forma como querem que aja. Para simplificar este pensamento, podemos pensar em duas analogias:

  • No preparo de um brigadeiro são utilizados ingredientes como manteiga, leite condensado e achocolatado. Ao se misturar tudo isso, forma-se a massa onde os ingredientes não se diferenciam entre si, pois formou-se um todo, uma massa homogênea. Os indivíduos seriam assim, os ingredientes que ao se misturarem formam uma massa com pensamentos e gostos comuns a todos.
  • Na segunda fase da Revolução Industrial, o modelo de produção utilizado era o fordista que tinha como uma das características principais a produção em massa (em série) de produtos. Esses produtos eram, assim, padronizados para serem fabricados em larga escala. Todos os sapatos daquela linha de montagem teriam as mesmas características, sendo difícil a diferenciação de cada um daqueles elementos. A sociedade de massas, então, pode ser entendida como uma forma de estruturação da sociedade em que os indivíduos, assim como os sapatos, teriam formas de vida semelhantes, padronizadas, massificadas. Este exemplo é bastante significativo, pois, outra característica possível da sociedade de massa é o envolvimento de grande número de indivíduos em todas as etapas da circulação de bens e serviços como produção, distribuição e consumo.

Embora muitas vezes sejam usadas como sinônimos é importante destacar que há diferenças entre o conceito de cultura de massa, ou “indústria cultural” e sociedade de massas. Entre o final do século XIX e o início da primeira guerra mundial, já estão lançadas algumas sementes para a criação e fortalecimento da chamada “indústria cultural”, como o desenvolvimento e expansão crescente dos meios de comunicação. Já a sociedade de massas é um fenômeno mais recente, embora o crescimento de uma reforce e solidifique a outra, em uma espécie de retroalimentação.

Adorno e Horkheimer ao falar do conceito de indústria cultural apontavam para a dinâmica que a cultura de massa construía: o de manter, organizar e dominar a sociedade. E assim como o conceito de “sociedade de massa” nos remete a uma homogeneização, conforme explicado anteriormente, o conceito de indústria cultural também faz analogia com a produção em massa. Só que de elementos culturais que são transformados em bens, assim como qualquer outro bem fabricado nas indústrias e que tem como objetivo obtenção de lucros e adesão ao sistema ideológico dominante.

Se o maior impacto da cultura de massa é a homogeneização dos indivíduos, fica claro o porquê da relação desta com o conceito de sociedade de massa. Se ao atingir um grande número de pessoas, os meios de comunicação conseguem difundir modelos de cultura planificados que não consideram as possibilidades diferenciadas de gostos e identidades e massificam pensamentos e gostos, há então a formação de uma massa homogênea: a sociedade de massas.

Bibliografia:

Tomazi, Nelson Dacio. Conecte – Sociologia para o Ensino Médio. Editora Saraiva

Tempos moderno, tempos de sociologia: ensino médio: volume único/ Helena Bomeny...[et al.]. – 4.ed. – São Paulo: Editora do Brasil, 2016; Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2016. (Série Brasil: ensino médio)

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