Tritão

Mestre em Ecologia (UERJ, 2016)
Graduada em Ciências Biológicas (UFF, 2013)

Os tritões são anfíbios da Ordem Caudata, da família Salamandridae (a mesma das salamandras), subfamília Pleurodelinae. Os mais conhecidos são os tritões do gênero Triturus e podem ser encontrados na Europa, Ásia, América do Norte, norte de África e Portugal.

São animais carnívoros com a dieta sendo constituída principalmente por insetos e outros artrópodes, como aranhas. Possuem corpo alongado, sem escamas, com quatro patas com membranas interdigitais e a maioria tem cauda achatada lateralmente. Vivem em ambientes terrestres e aquáticos de água doce.

Durante a época reprodutiva, os machos de diversas espécies de tritões sofrem mudanças morfológicas que ajudam a atrair as fêmeas como, por exemplo, os tritões-palmados (Lissotriton helveticus) que ficam com cores mais vistosas, desenvolvem as membranas interdigitais nas patas anteriores (o que ajuda na natação), a cauda faz movimentos semelhantes a um leque e servem para espalhar os feromônios (substâncias químicas usadas na comunicação) na água. Os feromônios desempenham um importante papel no comportamento de corte destes anfíbios, sendo liberados primariamente pelos machos no ambiente aquático. É provável que estas substâncias contribuam para o reconhecimento da espécie e estimulem a atividade endócrina que aumenta a receptividade das fêmeas. Os tritões dos gêneros Triturus e Cynops transferem feromônios sem que haja contato físico entre macho e fêmea. O macho dessas espécies realiza elaboradas exibições de namoro, nas quais faz vibrar a cauda para criar uma corrente de água que carrega os feromônios, secretados por uma glândula em sua cloaca, até a fêmea. Por outro lado, existem espécies em que é preciso ter o contato físico como, os machos de Notophthalmus viridescens (tritão-de-pintas-vermelhas) que esfregam o focinho da fêmea com as glândulas localizadas na face.

Tritão comum (Lissotriton vulgaris). Foto: Rudmer Zwerver / Shutterstock.com

A fecundação é interna e diferentes espécies apresentam comportamentos variados no ato da conquista para o acasalamento. Um grupo de tritões de grande porte, incluindo Triturus cristatus e Triturus vittatus apresentam exibições relativamente estáticas e carecem dos rápidos movimentos de leque da cauda que caracterizam o comportamento dos machos de Triturus. Os machos dessas espécies não depositam o espermatóforo enquanto a fêmea cortejada não tocar a cauda dele com o focinho. Um grupo de espécies de pequeno porte que inclui Triturus vulgaris e Triturus boscai possui um padrão mais diversificado de comportamentos, incluindo uma exibição lateral quase estática, bater a cauda violentamente contra o corpo da fêmea, abanar com a ponta da cauda e outros tipos de exibições. A resposta da fêmea é componente essencial da corte para essas espécies, pois o macho não passará da exibição estática que inicia a corte para a fase seguinte a menos que a fêmea se aproxime dele repetidas vezes (como forma de demonstrar interesse) e, não depositará o espermatóforo até que a fêmea toque a sua cauda.

Tritão-vermelho (Notophthalmus viridescens). Foto: Jason Patrick Ross / Shutterstock.com

Algumas espécies apresentam como mecanismo de defesa cores de advertência na pele, como é o caso do tritão-vermelho (Notophthalmus viridescens) que tem coloração laranja-brilhante e é ativo durante o dia. O tritão contém tetrodotoxina, que é uma neurotoxina potente que causa uma sensação desagradável. Quando o tritão é atacado por um predador, o mais provável é que ele seja rejeitado antes de ser ferido.

Referências Bibliográficas:

Cruz, Vasco Flores. 2011. ANFÍBIOS E RÉPTEIS DE PORTUGAL: Tritão-palmado (Lissotriton helveticus). < http://anfibioserepteis.blogspot.com.br/2011/02/lissotriton-helveticus.html> Acessado em 30 de maio, 2017.

Magno V. Segalla, Ulisses Caramaschi, Carlos Alberto Gonçalves Cruz, Taran Grant, Célio F.B. Haddad, Paulo Christiano de Anchietta Garcia, Bianca V.M. Berneck, José A. Langone. 2016. Brazilian Amphibians: List of Species. Versão 2015.2. Disponível em <http://www.sbherpetologia.org.br/> Sociedade Brasileira de Herpetologia. Acessado em 30 de maio, 2017.

Pough, F. Harvey, Heiser, Jhon B.; Janis, Christine M. 2008. A vida dos vertebrados. São Paulo, Atheneu. 684p.

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