Toupeira

Mestre em Zoologia (UESC, 2013)
Graduado em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

A toupeira é um mamífero pertencente à ordem Soricomorpha, e as consideradas como “toupeiras verdadeiras”, pertencem à família Talpidae. Talpidae vem do radical latino talpa, que nesse caso pode ser traduzido como escavador, o que remete à principal característica das toupeiras e dá a origem ao nome em português, que é uma língua de raízes latinas.

Toupeira-europeia. Foto: David Dohnal / Shutterstock.com

 

Toupeiras são animais fossoriais, ou seja, passam boa parte do seu tempo embaixo da terra escavando túneis. Sua alimentação é constituída basicamente de pequenos invertebrados, como cupins, formigas e minhocas. Elas podem armazenar minhocas vivas para posterior alimentação, possuindo câmaras com dezenas de minhocas.

Devido ao fato de passarem a maior parte do tempo em áreas subterrâneas, a sua visão é pouco desenvolvida. Os membros anteriores são bem desenvolvidos, com forte musculatura e unhas grandes, completamente adaptados para escavação. As toupeiras possuem um polegar extra, o prepolex.

As toupeiras estão localizadas na Europa, Ásia e América do Norte, são animais que preferem zonas temperadas. São animais solitários, e se reúnem apenas em períodos reprodutivos. Uma outra curiosidade é que as toupeiras conseguem utilizar o oxigênio de forma mais eficaz do que outros mamíferos ao inalar novamente o ar por elas exalado. A hemoglobina (célula do tecido sanguíneo responsável pelas trocas gasosas) das toupeiras possui maior afinidade com o oxigênio do que a nossa, o que amplifica a obtenção de oxigênio em um ambiente rarefeito, como o subterrâneo, e além disso, toupeiras são mais resistentes ao dióxido de carbono.

Espécies de toupeiras

Existem várias espécies de toupeira, mas talvez a mais conhecida seja a toupeira-européia (Talpa europaea).

A toupeira-européia é um animal pequeno, medindo no máximo 16-17 cm e seu peso chega a no máximo 130 gramas. A pelagem é uniformemente cinza, por todo o corpo, e os membros anteriores são bem mais desenvolvidos que os membros posteriores. O focinho é alongado e a cauda é curta.

A com visual mais peculiar, talvez seja a toupeira-nariz-de-estrela (Condylura cristata), que recebe esse nome devido à presença, na ponta do seu focinho do órgão de Éimer.

Toupeira-nariz-de-estrela. Foto: Agnieszka Bacal / Shutterstock.com

O órgão de Éimer, são 22 receptores sensoriais que amplificam o sentido do tato nessa espécie de toupeira, facilitando o seu deslocamento e interpretação espacial em ambientes completamente escuros, como é o caso do subsolo.

A toupeira-nariz-de-estrela possui tamanho similar à toupeira-européia, chegando a no máximo 20 cm de comprimento, mas em geral possui massa corporal menor (pesam cerca de 55 gramas). A pelagem possui coloração uniformemente acinzentada e a cauda é proporcionalmente mais longa do que a mesma estrutura das toupeiras-europeias.

Existem ainda duas outras famílias de roedores que também são chamadas de toupeiras apenas pelos hábitos fossoriais: a Spalacidae e a Bathyergidae. Espécies como o rato-toupeira-pelado (Heterocephalus glaber), o grande-rato-toupeira (Spalax microphthalmus), apesar de terem o termo “toupeira” no nome popular, são roedores, logo não possuindo relações evolutivas próximas com os membros da família Talpidae, que são as “toupeiras verdadeiras”.

As maiores ameaças às toupeiras foram a caça por sua pele, no passado e o fato de terem sido consideradas “pragas agrícolas”, pelo seu comportamento escavatório. Ainda hoje, em algumas comunidades rurais, as toupeiras são perseguidas sob a justificativa de que causam danos às plantas. No entanto, hoje se sabe que esse dano não é substancial e a fama de “praga agrícola” é causada mais por desconhecimento do que por efeito em si. O fato é que ao escavar a toupeira revolve o solo, auxiliando na absorção de compostos orgânicos e deixando o solo mais nutritivo para as plantas.

Referências:

Bannikova, A. A., Zemlemerova, E. D., Colangelo, P., Sözen, M., Sevindik, M., Kidov, A. A., & Lebedev, V. S. (2015). An underground burst of diversity–a new look at the phylogeny and taxonomy of the genus Talpa Linnaeus, 1758 (Mammalia: Talpidae) as revealed by nuclear and mitochondrial genes. Zoological Journal of the Linnean Society175(4), 930-948.

https://www.natgeo.pt/animais/2017/07/o-mundo-subterraneo-das-toupeiras-nariz-de-estrela-o-comedor-mais-rapido-do-nosso

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