Arte conceitual

Graduada em Artes-Dança (Unicamp, 2018)

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A arte conceitual surge entre os anos de 1960 e 1970 nos Estados Unidos e na Europa como uma nova forma de pensar criação artística, obra de arte e fruição. Esse movimento artístico, assim como infere-se pelo nome, está pautado nas ideias, no conceito da obra e em como isso impacta o expectador.

George Maciunas, um dos fundadores do Grupo Fluxus e artista representante do conceitualismo, define em um manifesto publicado em 1963 o que é arte conceitual. Para ele, essa nova maneira de criar e apreciar é “uma arte viva, uma antiarte, uma realidade não artística, para ser compreendida por todos”.

Primeiro, uma arte viva, pois, o sentido da obra se dá na interação com o expectador. Para os conceitualistas, pouco importa a estética daquilo que é feito e, também, quem de fato faz. Assim, uma boa obra é aquela pensada e planejada conceitualmente, capaz de provocar o expectador, gerando reflexões e questionamentos.

Segundo, uma antiarte, pois, todo o tradicionalismo ocidental em torno da arte é refutado. Por um lado, movimentos artísticos anteriores acreditavam nas qualidades formais da obra (linha, forma e cor) como suficientes para a apreciação. Enquanto aspectos reflexivos, sociais e políticos eram deixados em segundo plano. Em contrapartida, os princípios do conceitualismo invertem essa lógica, valorizando o conceito e a capacidade crítico-transformadora das obras de arte, não priorizando a estética.

Terceiro, uma realidade não artística que se mostra na escolha dos materiais da obra. Logo, objetos comuns do cotidiano como móveis, livros, peças de roupas, entre outros, são associados a diferentes materiais como fotos, vídeos, frases ou palavras. Além disso, performances e instalações também estão presentes no movimento. Portanto, para a arte conceitual não existe um padrão de materiais ou uma forma específica de criar uma obra, utiliza-se aquilo que é necessário para a construção físico-ideológica da ideia inicial.

Por fim, a acessibilidade da obra era fator fundamental para os conceitualistas uma vez que os artistas desse movimento entendiam que o objeto artístico não precisava ser explicado. Apesar das ideias serem o cerne da composição artística, a livre interpretação do expectador é parte do conceito. Assim, mais uma vez o tradicionalismo é colocado em xeque e a democracia de acesso contraria a apreciação de arte que, até então, era segregativa e seletiva.

Características da arte conceitual

  • Oposição à noção tradicional de obra de arte;
  • Valorização das ideias e do conceito da obra em detrimento da estética;
  • Provocação e questionamento no expectador através das obras;
  • Posicionamento crítico dos artistas em relação a acontecimentos do momento e problemas sócio-políticos, por exemplo;
  • Diversidade de materiais e formatos do objeto artístico;
  • Democracia de acesso;

Obras e Artistas

Uma e Três Cadeiras. Obra de Joseph Kosuth.

Uma e Três Cadeiras” (1965), Joseph Kosuth. A obra exposta no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) é composta por uma cadeira de madeira, uma fotografia da mesma cadeira e uma definição de cadeira. Ao definir o objeto a partir de três diferentes registros, o artista questiona a natureza da arte e provoca o expectador ao refletir acerca do que está por trás de uma experiência artística.

"Como Explicar Imagens Para uma Lebre Morta".

Como Explicar Imagens Para uma Lebre Morta” (1965), Joseph Beuyes. Essa foi uma performance feita pelo artista na abertura da sua instalação em um museu na Alemanha. O artista cobriu seu rosto com mel e folhas de ouro e andava pelo espaço com uma lebre morta em seus braços explicando para ela cada uma de suas obras. A partir dessa ação o artista questiona a acessibilidade da arte, pois uma vez que ela deve ser explicada, não necessariamente ela é para todos.

"Inserções em circuitos ideológicos. Projeto Coca-Cola".

Inserções em circuitos ideológicos. Projeto Coca-Cola” (1970), Cildo Meireles. O artista brasileiro ficou conhecido mundialmente com essa obra que critica a ditadura militar brasileira e o capitalismo norte-americano. Ela é composta por garrafas de vidro de Coca-Cola, símbolo do capitalismo, gravadas com mensagens contra o sistema militar. Todavia, as frases só podem ser vistas quando a garrafa estiver cheia. Por serem garrafas retornáveis, o artista as colocou de volta em circulação reforçando seu posicionamento.

Referências Bibliográficas:

ARTE CONCEITUAL. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileira. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: https://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3187/arte-conceitual. Acesso em: 11 de dezembro de 2021. Verbete da Enciclopédia.

CAMPELLO, Clarissa. Joseph Beuyes: Como explicar imagens para uma lebre morta parte 1/2. Youtube. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=t0Rz8EcAeg8>

MACBA. Cildo Meireles: Inserções em circuitos ideológicos. Projeto Coca-Cola,1970. Disponível em: https://www.macba.cat/en/art-artists/artists/meireles-cildo/insercoes-em-circuitos-ideologicos-projeto-coca-cola. Acesso em: 11 dez. 2021.

MOMA. Joseph Kosuth: One and Three Chairs, 1965. One and Three Chairs, 1965. Disponível em: https://www.moma.org/collection/works/81435. Acesso em: 11 dez. 2021.

TATE. Conceptual Art. Disponível em: https://www.tate.org.uk/art/art-terms/c/conceptual-art. Acesso em: 11 dez. 2021.

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