Arte da Mesopotâmia

Mestre em Artes Visuais (UDESC, 2010)
Graduada em Licenciatura em Desenho e Plástica (UFSM, 2008)

O período da história conhecido como Antiguidade, nos deixou um enorme legado cultural. Entre o Norte da África e Ásia surgiram as sociedades da Mesopotâmia. Entre dessas sociedades, estavam os Sumérios, Acádios, Babilônios e Assírios, destacando-se, sobretudo por apresentarem uma das mais ricas e diversificadas tradições culturais do mundo antigo, como a escrita cuneiforme e uma rica contribuição na história da arte, servindo como base para o desenvolvimento da arte de outros povos. Esses povos viveram há milhares de anos (os Sumérios se estabeleceram na região mais de 6 mil anos a.C.) e localizavam-se na região entre os Rios Tigre e Eufrates. Assim quando falamos em arte da Mesopotâmia, estamos falando da arte e cultura de todas essas sociedades que se desenvolveram nessa região geográfica.

Os povos da Mesopotâmia acreditavam na existência de vários deuses, ou seja, eram politeístas, e suas divindades estavam ligadas a natureza, ou seja, ao Sol, a Lua, a chuva ou a vento, etc. Sendo assim, suas produções artísticas também estavam relacionadas a religião, como era de costume entre os povos da antiguidade. De modo geral, a arte desse gênero é necessariamente anônima, pois o artista é sobretudo um artesão, que não tinha o interesse em deixar seu nome em suas criações nem em caracterizar de maneira singular sua obra.

Em geral essas produções eram confeccionadas para a decoração de templos e túmulos e poucos exemplares sobreviveram a ação do tempo. A estatuária talvez seja a categoria artística de maior evidência no mundo mesopotâmico. As esculturas podiam ser tridimensionais como em alto-relevo em pedra, embora algumas fossem feitas em argila ou madeira, esses povos ainda trabalhavam muito bem o ouro, o cobre e prata. Representavam especialmente seres humanos, seres mitológicos, animais ou deuses em posições em pé ou sentados e tinham como característica mais evidente a ausência de movimento, prezando por figuras estáticas, além disso os sumérios e os acádios tinham uma tendência a simetria e a precisão, especialmente na pintura. As esculturas mais antigas datam de aproximadamente 2400 A.C. Um conjunto dessas estátuas e fragmentos de estátuas, em nome dos sumérios, pode ser encontrado no Museu do Louvre em Paris, como por exemplo a “Estátua do governador Gudea” de Lagash. O soberano é representado sentado com características cuneiformes entalhadas na parte inferior da veste. Outro exemplo é “Cabeça de Touro” feita em bronze.

Estátua de Gudea, Príncipe de Lagash. Encontrada onde atualmente é o Iraque. Foto: Adam Jan Figel / Shutterstock.com

As pinturas como os murais, também eram produzidas visando a decoração de palácios e templos, além da pintura para a ornamentação de objetos. O preto, o branco, o vermelho e o amarelo eram as cores mais utilizadas. Nas pinturas é comum encontrar representações do cotidiano, da guerra, das caçadas, dos rituais, das cerimônias e sobretudo dos deuses.

A arquitetura desses povos não era tão grandiosa quanto as do Egito Antigo, a grande maioria das construções eram feitas de tijolos cozidos ao sol, por não haver pedreiras naquela região, o que ocasionou na pouca durabilidade dessas construções. Como exemplo é possível citar o “Zigurate de Ur”, templo criado pelos sumérios em formato piramidal com o objetivo de adoração aos deuses. Esse templos, palácios e monumentos, eram, com frequência, decorados com conchas, madrepérolas e lápis-lazúli. O lápis-lazúli era uma rocha de cor azul altamente utilizada para ornamentação e muito valorizada nas civilizações dessa época. Também era utilizada para fabricação de joias e esculturas. Outro exemplo é “A porta de Ishatar”, feita pelos babilônicos, uma imponente estrutura feita em tijolos moldados de maneira a constituir fileiras de animais como dragões ou leões, nas cores amarelo, azul, braço e vermelho. Foi construída à entrada de uma avenida dedicada as procissões sacras.

Zigurate de Ur, após trabalho de restauração. Foto: Homo Cosmicos / Shutterstock.com

 

Portal de Ishtar, reconstruído em Berlim. Foto: pio3 / Shutterstock.com

Outra característica da arquitetura da Mesopotâmia são os touros alados com cabeça humana, a exemplo das esfinges do antigo Egito que combina elementos arquitetônicos com elementos escultóricos, eles eram colocados à frente de palácios como uma forma de proteção. No entanto, ao contrário das regiões vizinhas, a arquitetura de caráter funerário na Mesopotâmia apresenta um desenvolvimento bastante menor. Os túmulos eram construídos por câmaras subterrâneas abobadadas feitas de tijolos. Um dos poucos exemplos é um túmulo na necrópole real de Ur, onde também, foram encontrados vasos, armas, joias, pedras preciosas e instrumentos musicais, indicando um nível de vida avançado. Além dos personagens reais, foram encontrados soldados sepultados no local.

Referencias:

GOMBRICH, E.H. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 2013.

MOSCATI, Sabatini. Como reconhecer a arte da Mesopotâmica. SP, Martins Fontes, 1985.

Arquivado em: Antiguidade, Artes