Neoclassicismo

Mestre em Artes Visuais (UDESC, 2010)
Graduada em Licenciatura em Desenho e Plástica (UFSM, 2008)

O Neoclassicismo foi um movimento artístico e cultural surgido na Europa no século XVIII, por volta de 1750 e que visava resgatar os valores estéticos e culturais das civilizações clássicas, especialmente Roma e Grécia. O Neoclassicismo teve grande expressão na pintura, na literatura, na escultura e na arquitetura, espalhando-se pelo resto do mundo e perdurando até meados do século XIX.

O termo Neoclassicismo foi criado em função de estar ligado aos ideais clássicos como meio de compreender as mudanças no mundo contemporâneo. Este movimento estava em conexão com o Academicismo, e defendia a retomada da arte antiga que era considerada um modelo de equilíbrio, clareza e proporção, buscando uma simplicidade e pureza estética, principalmente na pintura. O Neoclassicismo estava em oposição ao rebuscamento e exageros dos detalhes ornamentais do Barroco e do Rococó. Em contrapartida defendia o rigor formal, a supremacia da técnica e a necessidade de um esboço em desenho antes da execução da obra, seja na pintura ou na arquitetura.

Escavações arqueológicas na Itália e na Grécia (das descobertas das cidades de Herculano em 1738 e Pompéia em 1748) estimularam o Neoclassicismo a se aprofundar mais no mundo antigo, evidenciando em especial sua cultura, estética e moral.

Além da supervalorização dos padrões estéticos das artes antigas o Neoclassicismo se caracteriza, também, por ter uma forte influência do Iluminismo, sobre suas ideias ligadas a razão. Na pintura, retratos, heróis e seres mitológicos da cultura grega foram temas constantes, bem como o uso de cores frias e a valorização da perspectiva. Merecem destaque pintores como  Jacques-Louis David e Jean Auguste Dominique Ingres.

Na literatura, é possível identificar características como a síntese, a clareza e a perfeição gramatical. Esses traços davam-se por meio do uso de um vocabulário simples e a escolha de temas associados ao cotidiano, à natureza e à mitologia.

Na escultura há uma forte influência das formas clássicas do Renascimento, em especial no uso do mármore. Assim como na pintura o uso de temas como heróis e da mitologia grega foram recorrentes na escultura. Em posição aos escultores barrocos que pintavam suas obras, os artistas neoclássicos davam preferência pela cor branca natural do mármore. Antônio Canova foi um dos escultores de maior relevância desse período, destaca-se sua obra Eros e Psiquê.

A arquitetura também sofre influência do Renascimento e do racionalismo iluminista. O Panteão de Paris na França e o Portão do Brandemburgo em Berlim são os principais exemplos de arquitetura desse movimento.

A chagada da Missão artística Francesa e a fundação da Escola Real de Artes e Ofícios, deu início ao Neoclassicismo no Brasil. Ainda que tivesse pouca representatividade no país, é possível encontrar traços desse movimento nas artes visuais, em algumas obras literárias e na arquitetura. Como exemplos de construções neoclássicas na arquitetura do Brasil destacam-se a antiga alfandega, hoje Casa França-Brasil e o Solar Grandjean de Montigny, atualmente pertencente a Pontifícua Universidade Católica do Rio de Janeiro.

Referências:

NEOCLASSICISMO . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2018. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo361/neoclassicismo . Acesso em: 08 de Abr. 2018.

LITTLE, Stephen. ...ismos: para entender a arte. Brasil, Ed. Globo, 2011.