Observatório do Pico dos Dias

Mestre em Astronomia (Observatório Nacional, 2016)
Graduado em Física (UFRPE, 2014)

Desde 22 de abril de 1980, o Observatório do Pico dos Dias (OPD) tem contribuído como um dos principais veículos de desenvolvimento científico e tecnológico do Brasil na área de Astronomia, atendendo ativamente à comunidade astronômica nacional no suporte às suas atividades científicas. Juntamente com o Laboratório Nacional de Astrofísica, o observatório tem sido de fundamental importância para a pesquisa no Brasil, produzindo meios observacionais para a realização de pesquisa competitiva em Astronomia.

Vista aérea do Observatório Picos dos Dias. Fonte: https://lnapadrao.lna.br/divulg/imagens/opd.jpg/image_view_fullscreen

O Observatório do Pico dos Dias está localizado entre os municípios sul-mineiros de Brazópolis e Piranguçu, a 900m acima do nível médio da região, nas coordenadas geográficas: Longitude : -45° 34' 57" e Latitude : -22° 32' 04". O observatório se encontra a 1864m de altitude, a 37km de Itajubá, 300km do Rio de Janeiro e 250km de São Paulo, o acesso se faz por 12km de estrada de terra a partir da rodovia MG295.

O principal telescópio do OPD, telescópio 1,6 m Perkin-Elmer, entrou em funcionamento em 1981. Possui um espelho primário tem 1,6 metros de diâmetro e sua razão focal no foco Cassegrain é de f/10. A óptica é tipo Ritchey-Chrétien. No foco Coudé a razão focal é f/31,2, após algumas conversões, uma vez que o secundário fornece f/150. O telescópio de 1,6m aponta e acompanha alvos no céu sob controle de um programa de computador. O telescópio é utilizado para fotometria, polarimetria e espectroscopia.

Telescópio 1,6 m Perkin-Elmer. (Fonte: http://lnapadrao.lna.br/OPD/telescopios/telescopios-do-opd)

O telescópio 0,6 m Boller & Chivens foi instalado no OPD em 1992 através de um convênio entre o Instituto Astronômico e Geofísico da USP e o LNA. O primário tem 60cm de diâmetro e a razão focal no foco Cassegrain é de f/13,5. O projeto óptico é do tipo Ritchey-Chrétien. O apontamento deste telescópio utiliza uma adaptação do programa desenvolvido para o telescópio de 1,6m. É utilizado para fotometria e polarimetria.

Figura 3: Telescópio 0,6 m Boller & Chivens (IAG/USP). (Fonte: http://lnapadrao.lna.br/OPD/telescopios/telescopios-do-opd)

O telescópio 0,6 m Zeiss foi adquirido da ex-Alemanha Oriental em troca de café nos anos 60/70. Permaneceu armazenado em Brazópolis durante muitos anos até ser montado em 1983 no OPD. O projeto óptico é de um Cassegrain clássico, com primário parabólico e secundário hiberbólico. A razão focal no foco Cassegrain é f/12,5. O instrumento tem apontamento manual. É utilizado exclusivamente para fotometria e polarimetria.

Figura 4: Telescópio 0,6 m Zeiss. (Fonte: http://lnapadrao.lna.br/OPD/telescopios/telescopios-do-opd)

O telescópio robótico de 40cm (ROBO40) consiste no tubo óptico de um telescópio MEADE LX200 16’’ montado em uma montagem do tipo equatorial alemã modelo Paramount ME. O único instrumento disponível é uma câmera CCD modelo Apogee Alta U16M. As observações serão exclusivamente em modo fila e sem possibilidade de escolha de condições climáticas como qualidade de imagem (seeing) e cobertura de nuvens (céu não fotométrico). O telescópio não conduzirá observações em condições adversas, tais quais cobertura de nuvens maior que 70% e massa de ar maior que 3.

Figura 5: Telescópio robótico de 40cm (ROBO40). (Fonte: http://lnapadrao.lna.br/OPD/telescopios/telescopios-do-opd)

O telescópio russo Pan-Eos foi instalado em 2017 no Observatório pico dos Dias a partir de um acordo entre o Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA) e a estatal russa Roscosmos, intermediado pela Agência Espacial Brasileira (AEB) em 7 de abril de 2016. O telescópio tem a função de integrar o programa de mapeamento do lixo espacial que já vem sendo feito pela agência russa com um telescópio similar instalado nas montanhas Altai, na Rússia. Esse monitoramento permitirá a colocação de satélites em órbita em rotas seguras, diminuindo os riscos de impacto com esses fragmentos, além de prevenir colisão de meteoros com o planeta. As imagens obtidas pelo telescópio russo também poderão ser usadas para identificar novos asteroides e cometas. O instrumento russo é formado por um telescópio principal de 75 cm e 4 auxiliares de 25 cm cada. Esse instrumento é capaz de identificar detritos de poucos centímetros no espaço, ajudando a colocar satélites em órbitas mais seguras.

Figura 6: Telescópio russo Pan-Eos instalado no Observatório Pico dos Dias, em Brazópolis (Foto: LNA/Divulgação)

Referências:

http://www.lna.br/lna/lna_hist.html (acessado em 25 de janeiro 2020)

http://lnapadrao.lna.br/OPD/telescopios/telescopios-do-opd (acessado em 26 de janeiro 2020)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Observat%C3%B3rio_do_Pico_dos_Dias (acessado em 27 de janeiro 2020)

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