Meteoros

Mestre em Astronomia (Observatório Nacional, 2016)
Graduado em Física (UFRPE, 2014)

Os meteoros são fenômenos físicos produzidos pela entrada de fragmentos de rochas espaciais (chamados de meteoroides) na atmosfera terrestre. Os primeiros registros de meteoros foram feitos por diferentes povos antigos, como os sumérios, os persas, os árabes e, também, os maias. Esse fenômeno é frequentemente chamado de estrela cadente, visto como uma luz brilhante riscando o céu noturno. Os meteoroides que impactam a nossa atmosfera (ou a de outro planeta) podem variar de tamanho, e vão desde alguns milímetros até a ordem de metros. Alguns meteoros são tão brilhantes (magnitudes entre -4 e -17) que podem ser vistos mesmo a luz do dia, e por isso, são chamados de bólidos. Os meteoros queimam parcialmente ou totalmente na atmosfera devido ao calor produzido pelo gás comprimido na sua frente num processo de ablação.

Alguns meteoros sobrevivem a entrada na atmosfera por um tempo suficiente para atingir a superfície. Esse fragmento que alcança o solo é chamado de meteorito, e dependendo do seu tamanho pode deixar um grande buraco no solo, chamado de cratera. Geralmente os meteoros são classificados em dois grupos quanto a sua origem:

  • 1. Chuvas de meteoros: quando é conhecido a origem dessa chuva e sua região.
  • 2. Esporádicos: quando não se conhece a origem da chuva.

Os meteoros são gerados por fragmentos de cometas ou asteroides, e são geralmente associados a chuvas de meteoros relacionadas a fragmentos deixados por cometas e asteroides próximos da Terra. O fragmento que consegue chegar ao solo é um verdadeiro fóssil do Sistema Solar, sendo bastante importante para o estudo da origem e formação dos planetas. Uma fração muito pequena de meteoroides são provenientes de Marte ou da Lua, os quais são ejetados a partir de impactos de asteroides. A partir do estudo dos meteoritos é possível entender quais os materiais presentes nos primeiros anos de vida do Sistema Solar e como este evoluiu para formar os planetas.

A relação entre meteoros e cometas é conhecida a bastante tempo, visto que os parâmetros orbitais de algumas chuvas são semelhantes a de alguns cometas com órbitas conhecidas. Alguns exemplos de chuvas de meteoros são as chuvas Orionids e Eta-Aquarids, que são relacionadas ao cometa 1P/Halley, e a chuva Apryl Lyrids, que é relacionada ao cometa C/1861 G1. Outras grandes chuvas de meteoros, como as chuvas Geminids, Taurids, Perseidas, e Quadrantids, também são relacionadas aos rastros deixados por cometas. Os detritos deixados no caminho orbital de um cometa são chamados de correntes, e são como longos rastros de poeira e detritos que se estendem por vários quilômetros ao longo de sua órbita. Dessa forma, os fragmentos cometários são as principais fontes de meteoros, que são produzidos principalmente quando a Terra atravessa as faixas de detritos deixados pelos cometas.

Fotografia com exposição de quatro horas da chuva de meteoros Leônidas em 1998. Foto: Juraj Tóth / via Wikimedia Commons / CC-BY-SA 3.0

Por outro lado, os asteroides próximos da Terra são considerados a principal fonte de meteoritos, dado que a maioria dos meteoritos encontrados na Terra são do tipo condrítico, que é semelhante aos asteroides. Esses asteroides são corpos relativamente maiores do que os fragmentos deixados pelo cometas, e portanto, podem sobreviver a passagem pela atmosfera. Os asteroides próximos da Terra tem órbitas que podem cruzar a órbita da Terra, o que pode permitir a entrada de fragmentos na atmosfera da Terra. É importante mencionar que o estudo de meteoritos provinientes da região dos asteroides próximos da Terra é importante para um melhor entendimento da composição e da estrutura interna dessa população de asteroides. Por exemplo, o asteroide próximo da Terra 2008 TC3 foi descoberto poucos dias antes desse objeto entrar na atmosfera da Terra, gerando em seguida o meteorito Almhata Sitta. Com a observação desse asteroide, foi possível entender um pouco mais sobre a estrutura interna desses corpos, permitindo avanços no estudo da coesão desses corpos. É importante ressaltar que a previsão de queda só foi feita com um dia de antecedência a partir de observações fotométricas e cálculos astrométricos.

Referências:

DE CICCO, M. (2017). Implantação de rede de observação de meteoros para levantamento de suas propriedades dinâmicas e físicas visando à identificação de seus radiantes e corpos parentais. Dissertação de mestrado do Observatório nacional.

Sites:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuva_de_meteoros (acessado em 13 de Dezembro de 2019)

https://pt.wikipedia.org/wiki/Meteoroide (acessado em 13 de Dezembro 2019)

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