Satélite natural

Mestre em Astronomia (Observatório Nacional, 2016)
Graduado em Física (UFRPE, 2014)

Satélite naturais, também chamados de luas (com l minúsculo), são objetos celestes que orbitam planetas e asteroides. No Sistema Solar existem centenas de luas de diferentes tamanhos, formatos e tipos. Alguns planetas não possuem nenhuma lua, como é o caso de Mercúrio e de Vênus, outros chegam a ter mais de 70 luas, como é o caso de Júpiter e de Saturno.

Terra

A Lua é chamada assim pois até 1610 não se sabia da existência de outras luas. Ela se localiza a 384,4 mil km da Terra e completa uma órbita em 27 dias sempre mostrando a mesma face para a Terra. Ela é um objeto celeste de extrema importância para a Terra: sem ela, nosso planeta seria extremamente diferente. Ela, através do efeito de maré, diminui a velocidade de rotação da Terra, de forma que a mantém estável. Ela também interfere no eixo de rotação da Terra fazendo com que a precessão (variação do eixo de rotação) seja baixa e, sem a Lua, a Terra, em alguns momentos, se inclinaria a ponto de estar à 90º em relação ao Sol, causando diferenças extremas de temperatura ao longo do ano.

A hipótese mais aceita é que a Lua foi formada quando um objeto colidiu com a Terra 4,5 bilhões de anos atrás criando detritos que circundaram o planeta que, por causa da gravidade, se aglutinaram e formaram a Lua.

A Lua, o único satélite natural da Terra. Foto: NASA

Marte

Marte possui duas luas, Phobos e Deimos. Elas têm formatos irregulares e são cobertas por crateras, poeira e rochas soltas. Ambas são feitas de rochas ricas em carbono misturado com gelo e estão entre os menores e os mais escuros satélites naturais do Sistema Solar. Acredita-se que antigamente eram asteroides que passaram perto de Marte e, por causa da gravidade, foram capturadas e passaram a orbitar o planeta vermelho.

Phobos (à esquerda) e Deimos (à direita). Créditos: NASA

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Júpiter

Júpiter possui 53 luas confirmadas e mais 26 a serem confirmadas, totalizando 79 luas. As quatro maiores são conhecidas como galileanas (observadas por Galileu Galilei em 1610) e são elas: Io, Europa, Ganímedes e Calisto.

Na imagem acima, obtida pela sonda Galileo, vemos fotografias de Io, Europa, Ganímedes e Calisto, respectivamente. Créditos: NASA/JPL/DLR

  • Io é o objeto do Sistema Solar com maior atividade vulcânica ativa devido à intensa gravidade de Júpiter que causa “ondas” na sua superfície sólida gerando calor suficiente para criar atividade vulcânica.
  • Europa possui uma superfície coberta de gelo e especula-se que existe um oceano líquido abaixo da superfície. Acredita-se também que nela contém o dobro de água existente na Terra, por isso ela tem um grande potencial de existência de vida.
  • Ganímedes é a maior lua do Sistema Solar (sendo até mesmo maior que Mercúrio) e a única que se tem conhecimento de possuir um campo magnético gerado internamente.
  • Calisto possui muitas crateras e as poucas crateras pequenas existentes dão indícios de uma atual atividade superficial.

Saturno

Saturno possui 53 luas confirmadas e 29 ainda a serem confirmadas, totalizando 82 luas, sendo algumas delas esféricas e outras irregulares. Sua maior lua, Titã, é o único lugar além da Terra que se sabe haver líquidos na superfície, metano e etano. Esses líquidos estão presentes em lagos e realizam um ciclo similar ao da água na Terra.

Imagem da superfície de Titã abaixo das nuvens de metano e etano composta por fotos tiradas em novembro de 2015 pela sonda Cassini. Créditos: NASA

Urano

Urano possui 27 luas, sendo as mais internas são compostas por gelo e água e a composição das mais externas permanece desconhecida.

Netuno

Existem 16 luas orbitando Netuno, sendo a mais importante chamada Tritão. Ela é um dos objetos mais gelados do Sistema Solar e a única que tem uma órbita retrógrada (órbita na direção oposta à rotação do planeta). Ela possui vulcões de gelo que expelem uma mistura de nitrogênio líquido, metano e poeira, que congela instantaneamente e depois neva de volta à superfície.

Fotografia de Tritão tirada pela sonda Voyager 2 em 1989. Créditos: NASA/JPL

Luas em asteroides

Como dito anteriormente, um satélite natural também pode orbitar um asteroide. Alguns dos maiores asteroides do Sistema Solar possuem luas. A primeira lua desse tipo foi descoberta em 1993 orbitando o asteroide Ida. Desde então mais de 100 satélites foram descobertos orbitando asteroides, esses também são chamados de asteroides binários.

Na imagem vemos o asteroide Ida à esquerda, e à direita, Dactyl, a primeira lua descoberta orbitando um asteroide.

Referências:

MOONS. NASA Science Solar System Exploration. Disponível em: <https://solarsystem.nasa.gov/moons/in-depth/>. Acesso em: 14 de mar. de 2020

EARTH’S MOON. NASA Science Solar System Exploration. Disponível em: <https://solarsystem.nasa.gov/moons/earths-moon/in-depth/>. Acesso em: 14 de mar. de 2020

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