Graça

“Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3,24).

O senso comum atribui à palavra Graça, um sentido de benefício, algo positivo que tenha sido recebido sem que haja custo financeiro ou que algum tipo de troca. Um indivíduo que ganhou, por exemplo, uma camisa de presente, pode afirmar com segurança que a recebeu “de graça”.

Por sua vez, no contexto bíblico, a palavra Graça pode traduzir as palavras hebraicas hesen, hen, que são frequentemente encontradas nos textos originais, nos sentidos de misericórdia, amor, bondade, compaixão e favor.

No decorrer dos textos bíblicos podemos encontrar a graça como atributo divino, um bem precioso de Deus para os seus filhos; como manifestação da vinda do Messias, onde pela graça Jesus Cristo trouxe ao povo a salvação; ou mesmo como gratidão e louvor do povo a Deus, num ato de dar graças àquele que os criou.

Entre as afirmativas sobre a graça de Deus, uma passagem do livro de Êxodo relata o Senhor dizendo a Moisés, que faria passar toda sua bondade diante dele, e proclamaria o Seu nome tendo misericórdia e compaixão. Uma outra, está no livro de Isaías, onde o profeta homônimo se refere a Deus como consolador dos que choram. Outros textos abordam a graça como reverência do povo ao Senhor, dando graças a Deus.

Além do hebraico hesen ou hen, uma outra equivalência possível para o termo Graça, é a palavra grega Kharis, que pode significar bondade, favor, amor, dom, dom gratuito. São inúmeras as passagens que enaltecem a Graça de Deus. Vale ressaltar aquela em que um anjo se dirige a Maria: “Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas; porque achaste graça diante de Deus” (Lc 1:30). Anos, depois, estando Jesus com doze anos, as escrituras sagradas afirmam que “Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele” (Lc 2,40).

Entre as traduções dos textos bíblicos, certamente o sentido mais profundo refere-se à salvação do homem por meio da fé em Jesus, constatação máxima da Graça de Deus: “Sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos” (Rm 3:24).

Para o cristão, a prática das boas obras é uma das conseqüências da fé cristã e seria contraditório amar a Deus sem amar o próximo, o amor é generoso em sua essência sem esperar retorno. Sobretudo, a salvação não se dá por meio de obras caridosas, e sim por meio da fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. De graça, ou seja, Jesus pagou um alto preço com sua morte na cruz do calvário.

Bibliografia:
A Bíblia da Mulher: leitura, devocional, e estudo. 2 ed, Barueri SP: sociedade Bíblica do Brasil 2009.
Bíblia sagrada. Traduzida em português por João Ferreira de Almeida. Revista e Atualizada no Brasil 2 ed Barueri SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 1988, 1993.

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