Adolpho Lutz

Uma polêmica na cidade de São Paulo foi a gota d’água para que o Dr. Adolpho Lutz se retirasse da vida pública nessa cidade. Ele afirmava que a tuberculose bovina podia ser transmitida ao homem por meio do consumo do leite de vaca. Foi ridicularizado por médicos que apoiavam os interesses comerciais dos pecuaristas. Lutz tinha razão, tanto que hoje a pasteurização do leite para consumo humano é absoluta rotina.

Nascido a 18 de dezembro de 1855, no Rio de Janeiro, Adolpho Lutz foi levado aos dois anos de idade para a Suíça, terra natal de seus pais. Formou-se em medicina pela Universidade de Berna, porém voltou ao Brasil aos 26 anos, por escolha própria, para trabalhar no seu país que, até as condições de higiene da época, agravavam o quadro da saúde pública.

Instalou seu primeiro consultório na cidade de Limeira (SP), atendendo à população carente. Viajava frequentemente à Europa para acompanhar as novidades dos centros científicos, trazendo-as para o Brasil Imperial. Pesquisou em Hamburgo, na Alemanha, as causas da lepra, com o professor Unna, importante dermatologista da época. Como boa parte da população do Havaí fora dizimada em 1889 por essa enfermidade, Lutz instalou-se em Honolulu (1889-1892) até a erradicação do mal.

Retornou ao Brasil no ano seguinte e abriu consultório em São Paulo, combatendo as doenças impregnadas na cidade: febre amarela, varíola, peste bubônica, febre tifóide, cólera, malária e tuberculose. Em 1892 as autoridades criaram o Instituto Bacteriológico e Lutz assumiu o comando.

Uma vitória importante em sua carreira foi identificar o mosquito Aedes aegypti, como o transmissor do vírus causador da febre amarela. Serviu ele mesmo, e mais outros médicos (Emílio Ribas), como cobaia para a experiência que comprovou o mecanismo de transmissão da moléstia. Os mosquitos foram exterminados usando-se pó de enxofre e fumaça de pó de piretro (píretro). Para acabar com as larvas, utilizou-se uma camada de querosene e essência de terebintina nas águas paradas.

Após a polêmica do leite, em 1908, deixou o IB e mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a trabalhar em Manguinhos a convite de Oswaldo Cruz. No ano em que transformaram o Instituto Bacteriológico em Adolpho Lutz, 1940, o sanitarista, médico e cientista, morreu. Ele era de uma compaixão inesgotável diante do sofrimento humano.

Fonte:
REVISTA ISTO É  – ESPECIAL n. 7. O BRASILEIRO DO SÉCULO; educação, ciência  & tecnologia. Ed.1557, s/d.

Arquivado em: Biografias