Alvin Carl Plantinga

Mestre em Filosofia (UFRJ, 2012)
Especialista em Planejamento, Implementação e Gestão da Educação (UFF, 2015)
Graduado em Filosofia (UFRJ, 2010)

Alvin Carl Plantinga é, atualmente, o principal filósofo cristão no meio acadêmico. Logo após finalizar sua formação acadêmica, com o Doutorado em Filosofia, na Universidade de Yale em 1958, iniciou vários estudos sobre a racionalidade da fé cristã. Já no início do século XX, a crença em Deus ou crenças relacionadas ao cristianismo eram vistas como irracionais, incoerentes ou desprovidas de qualquer valor epistemológico positivo. As defesas da fé cristã estavam restritas ao círculo teológico, tendo pouca aceitação em outros campos de estudo. O projeto desse filósofo é revalidar o status epistemológico das crenças cristãs.

Enquanto seus primeiros estudos implicaram em mudanças no campo da Filosofia da Religião, a partir dos anos 1980, Alvin Plantinga começa a desenvolver uma perspectiva epistemológica compatível com o teísmo, a saber, a crença de que há uma pessoa como Deus, conforme descrito nas escrituras cristãs. Ao observar os principais estudos em Epistemologia desenvolvidos ao final do século XX, percebe que a maioria dos filósofos adota uma perspectiva evidencialista, na qual alguém precisa estar de posse de um argumento ou fundamentação para justificar uma crença.

O que é, exatamente, aceitar ou acreditar em uma proposição p com base em uma evidência proposicional? No caso paradigmático, você aceita p com base em uma evidência proposicional apenas se você tiver um argumento para p -- algo como um ou mais dos cinco meios de Tomás de Aquino, por exemplo -- e você aceitar p com base nesse argumento. Assim, o pensamento evidencialista -- o pensamento que pretendo contestar -- é que você não pode aceitar racionalmente a crença cristã a não ser que tenha um argumento para sua verdade.” (PLANTINGA, 2007, p. 613, grifo do autor, tradução nossa)

Esse filósofo desenvolverá uma perspectiva externalista em Epistemologia, a saber, baseada no processo de formação de crenças e não em nosso acesso a essas crenças. Alvin Plantinga propõe, então, a noção de funcionamento apropriado que seria bem simples e relacionada ao nosso cotidiano. Nossas crenças só poderiam ser consideradas verdadeiras quando formadas de modo apropriado, e isso dependeria do nosso raciocínio funcionar do modo esperado.

Nossas crenças sobre o mundo se tornam conhecimento quando exibem o que o filósofo nomeia como warrant (garantia epistêmica), a saber, a qualidade, seja qual for, que distingue crenças verdadeiras de conhecimento. Muitos dos nossos processos cognitivos formam crenças garantidas, como nossa memória e nosso aparato sensorial. Seria plausível ou razoável aceitar essas crenças. Algumas delas, entretanto, seriam básicas, quer dizer, crenças que não dependeriam de outras, para garantir sua validade, como a crença na realidade exterior ou que as pessoas possuem mentes. Além do externalismo, então, Alvin Plantinga também adota um fundacionalismo. Em todo caso, esse fundacionalismo é falibilista, pois essas crenças podem admitir anuladores.

A crença em Deus seria uma dessas crenças básicas. Assim como não precisamos fornecer um argumento inferencial para a existência de outras mentes, a crença em um Deus também seria básica. Não teríamos como determinar um conjunto de crenças que são básicas para todas as pessoas, mas a tradição cristã e muitas pessoas acreditam em um Deus, e essa crença fundamental forma seus conjuntos de crença, servindo de base para outras crenças. A tradição reformada, com base em Tomás de Aquino e João Calvino, propõe que Deus formou as pessoas de tal forma que possam confiar na crença de que há um Deus.

Alvin Plantinga não argumenta a favor da verdade dessa crença, mas afirma que se o cristianismo for verdadeiro, então a crença em Deus é epistemicamente garantida. A proposta é argumentar a favor da racionalidade da crença em Deus, tornando-a plausível em um mundo no qual a visão de mundo predominantemente científica e naturalista.

[E]nquanto a crença em Deus, as crenças memoriais e as crenças perceptivas distinguem-se com relação às circunstâncias de formação, elas compartilham ao menos algo em comum. Do ponto de vista de quem acredita, elas todas parecem completamente corretas, um resultado apropriado de sua situação epistêmica. São dois os fatores que criam a paridade epistêmica entre as crenças sobre Deus e crenças perceptivas ordinárias: 1) a causa das crenças - elas são tanto formadas por faculdades cognitivas funcionando apropriadamente, e 2) a resposta psicológica associada com a formação dessas crenças. Nos dois casos, as crenças parecem apropriadas, corretas, aprovadas.” (BEILBY, 2007, p. 130, tradução nossa)

Em 2017, esse filósofo recebeu um prêmio da fundação John Templeton por seu trabalho filosófico sobre a crença religiosa em Deus. A posição ainda possui muitas críticas, mas já é considerada por muitos uma discussão academicamente viável e produtiva.

Bibliografia:

BEILBY, James. Plantinga’s Model of Warranted Christian Belief. In: BAKER, Deane-Peter (Ed.). Alvin Plantinga. New York: Cambridge University Press, 2007. p. 125-165.

PLANTINGA, Alvin. Warranted Christian Belief. Oxford: Oxford University Press, 2000.

_____. On "Proper Basicality". Philosophy and Phenomenological Research, v. LXXV, n. 3, p. 612-621, nov. 2007.

STEUP, Matthias. Epistemology. In: The Stanford Encyclopedia of Philosophy. 2015. Disponível em: <https://plato.stanford.edu/entries/epistemology/>. Acesso em: 03.03.2018.

BOLOS, Anthony; SCOTT, Kyle. Reformed Epistemology. In: Internet Encyclopedia of Philosophy. 2015. Disponível em: <https://www.iep.utm.edu/ref-epis/>. Acesso em: 25.04.2018.

Arquivado em: Biografias, Filósofos