Christine Lagarde (Paris, 1º de janeiro de 1956) é uma advogada e política francesa, presidente do Banco Central Europeu (BCE) desde novembro de 2019. Antes, foi a primeira mulher a dirigir o Fundo Monetário Internacional (FMI), de 2011 a 2019, e a primeira a chefiar o Ministério da Economia da França. Em 29 de outubro de 2026, o BCE anunciou que ela renunciou ao cargo e deixará a instituição em 7 de fevereiro de 2027, alguns meses antes do fim do mandato.

Nicolas Richoffer / Christine Lagarde em 2008. Fonte. Licença: CC BY-SA 4.0
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Formação e carreira de advogada
Christine Madeleine Odette Lallouette nasceu em Paris e cresceu no Havre, na Normandia. Os pais eram professores. Na adolescência, integrou a seleção francesa de nado sincronizado. Após o ensino médio, passou um ano nos Estados Unidos como estudante de intercâmbio e chegou a trabalhar como estagiária no Congresso americano.
Formou-se em Direito pela Universidade Paris X (Nanterre) e estudou no Instituto de Estudos Políticos de Aix-en-Provence. Reprovada duas vezes no concurso da Escola Nacional de Administração (ENA), tradicional formadora da elite política francesa, seguiu carreira na advocacia privada.
Em 1981 entrou no escritório americano Baker & McKenzie, especializado em direito trabalhista e concorrencial. Fez carreira em Chicago e, em 1999, tornou-se a primeira mulher a presidir o comitê executivo global da firma.
Carreira política na França
Lagarde voltou à França em 2005, convidada para o governo do presidente Jacques Chirac como ministra do Comércio Exterior. Depois de passar brevemente pela pasta da Agricultura, assumiu em 2007, no governo de Nicolas Sarkozy, o Ministério da Economia e das Finanças. Ficou no cargo até 2011, atravessando a crise financeira global de 2008 e o início da crise da dívida na zona do euro.
No ministério, ela foi responsável pela arbitragem de um antigo litígio entre o empresário Bernard Tapie e o banco estatal Crédit Lyonnais, que rendeu a Tapie cerca de 400 milhões de euros em 2008. O caso a acompanharia por anos.
No comando do FMI (2011–2019)
Em julho de 2011, Lagarde assumiu a direção-geral do Fundo Monetário Internacional, após a renúncia do também francês Dominique Strauss-Kahn. O FMI é a instituição que empresta dinheiro a países em crise de balanço de pagamentos, normalmente em troca de ajustes nas contas públicas.
Seu período foi marcado pelos programas de resgate da Grécia, de Portugal e da Irlanda, negociados com a Comissão Europeia e o BCE, no grupo que ficou conhecido como "troika". Também conduziu o empréstimo de 57 bilhões de dólares à Argentina em 2018, o maior da história do Fundo. Lagarde defendeu publicamente temas como a participação feminina no mercado de trabalho e os riscos da desigualdade para o crescimento econômico.
Em dezembro de 2016, a Corte de Justiça da República, tribunal francês que julga atos de ministros, considerou-a culpada de negligência no caso Tapie, por não ter contestado a arbitragem. Ela foi dispensada de pena, e o FMI manteve sua confiança nela.
Presidente do Banco Central Europeu
Em novembro de 2019, Lagarde sucedeu o italiano Mario Draghi na presidência do BCE, tornando-se a primeira mulher no cargo. O banco, com sede em Frankfurt, na Alemanha, define a política monetária dos países da União Europeia que usam o euro: controla as taxas básicas de juros e a oferta de moeda para manter a inflação perto da meta de 2% ao ano. Ao contrário dos antecessores, ela não é economista de formação, o que gerou desconfiança no início do mandato.
Logo nos primeiros meses, enfrentou a pandemia de covid-19. O BCE lançou um programa emergencial de compra de títulos que chegou a 1,85 trilhão de euros para evitar uma crise de crédito. A partir de 2022, com a disparada dos preços de energia após a invasão russa da Ucrânia, a inflação na zona do euro passou de 10%. O banco foi criticado por demorar a reagir, mas depois promoveu a alta de juros mais rápida de sua história.
Renúncia em 2026
O mandato de oito anos de Lagarde terminaria em outubro de 2027. Em 29 de outubro de 2026, o BCE informou que ela deixará o cargo em 7 de fevereiro de 2027. Segundo uma fonte ouvida pela Reuters e citada pelo g1, a francesa quer ter mais liberdade para se manifestar sobre a política da França, onde a eleição presidencial de 2027 tem a candidata de extrema direita Marine Le Pen como favorita nas pesquisas. Lagarde afirmou que não pretende disputar a Presidência.
A saída antecipada dividiu opiniões. Para críticos, ela sugere que o calendário eleitoral francês influenciou uma instituição que deveria ser independente; para outros, permite uma sucessão tranquila. Os ex-presidentes dos bancos centrais da Holanda, Klaas Knot, e da Espanha, Pablo Hernández de Cos, foram apontados pela imprensa como favoritos à sucessão.
Vida pessoal
Lagarde tem dois filhos do primeiro casamento e é companheira do empresário Xavier Giocanti. É conhecida por ser vegetariana e não beber álcool. A revista Forbes a incluiu diversas vezes entre as mulheres mais poderosas do mundo.
Referências
- Christine Lagarde renuncia à presidência do Banco Central Europeu – g1, 29/10/2026
- ECB President Lagarde to step down on 7 February 2027 – Banco Central Europeu, 29/10/2026
- Christine Lagarde – currículo oficial, Banco Central Europeu
- IMF chief Lagarde guilty of negligence – BBC News
Texto originalmente publicado em https://www.infoescola.com/biografias/christine-lagarde/