Denis Diderot

Ensino Superior em Comunicação (Universidade Metodista de São Paulo, 2010)

Denis Diderot foi notável escritor, enciclopedista e filósofo francês. É considerado um dos grandes pensadores do Iluminismo, movimento político-filosófico que se caracterizou pela defesa dos direitos e da liberdade dos cidadãos. Ganhou destaque com a idealização e organização da "Enciclopédia" em parceria com d'Alembert, no século XVIII.

Retrato de Denis Diderot. Pintura de Dmitry Levitzky, 1773.

Denis Diderot nasceu em Langres, na França, no dia 5 de outubro de 1713. Filho do cuteleiro Didier Diderot e de Angélique Vigneron. A educação inicial de Diderot teve base humanista e foco religioso: estudou em colégio jesuíta, aprendendo latim, grego e orações católicas. Em 1726 o bispo de Langres lhe concedeu o primeiro grau de Ordem no clero, cortando seu cabelo durante a tradicional cerimônia religiosa conhecida como tonsura. A expectativa da família era de que Diderot seguisse a carreira eclesiástica, mas isto não aconteceu.

Em 1728 ele partiu para Paris, onde recebeu o grau de mestre em Artes na Universidade de Paris. Sua formação se expandiu interdisciplinarmente, estudando leis, filosofia, literatura e matemática.

Diderot seguiu fazendo pequenos trabalhos como tradutor e escrevia sermões encomendados. Passou a frequentar a vida social parisiense, tendo contato com pensadores iluministas como Étienne Condillac e Jean-Jacques Rousseau. Em 1743 casou-se com Antoinette Champion com quem teve uma filha, Angelique Diderot. Em 1745, Diderot iniciou um projeto ao lado do matemático Jean Le Rond d’Alembert, a tradução da “Cyclopaedia” do inglês Ephraim Chambers por encomenda do livreiro André LeBreton. Esse trabalho inspirou a criação de uma enciclopédia geral, que apresentasse um panorama dos conhecimentos humanos e pudesse integrar as novas ideias que estavam circulando na época. O objetivo era destacar princípios essenciais das artes e das ciências, indo contra as ideias antiquadas da Igreja e do Estado. Diderot dedicou 16 anos a esse trabalho, redigindo parte do conteúdo, dirigindo e supervisionando os seus 130 colaboradores. Esse grande time era composto de figuras importantes do Iluminismo, como Montesquieu, Voltaire e Rousseau.

A enciclopédia passou por objeções e atribulações, sendo censurada pela Igreja e por grupos políticos aliados ao clero. Foram dedicados 21 anos em sua edição, com publicações entre 1751 e 1772. Trazia 35 volumes, 71.818 artigos, e 2.885 ilustrações e foi intitulada “Encyclopédie, ou dictionnaire raisonné des sciences, des arts et des métiers” (“Enciclopédia, ou Dicionário Racional das Ciências, Artes e Profissões”). Essa grandiosa obra é um dos símbolos do Iluminismo, sendo essencial na concepção ideológica que estimularia a Revolução Francesa. Apesar de não existirem muitas pessoas que soubessem ler na época, a enciclopédia foi um grande sucesso de vendas e trouxe substancial retorno financeiro para Diderot.

O filósofo escreveu também peças teatrais, romances, comédias e novelas. Em 1746 Diderot publicou “Pensamento Filosófico”, apresentando objeções reacionárias contra a revelação sobrenatural.

Em 1748 publicou “Cartas Sobre os Cegos Para Uso Dos Que Enxergam”, ensaio que aborda o relativismo do conhecimento humano e a negação de qualquer fé transcendental. Nas duas obras, Diderot expunha o quanto o homem dependia de seus sentidos. As ordens religiosas reagiram ao conteúdo e Diderot foi preso, ficando três meses em cárcere. Também publicou “As Joias Indiscretas” em 1748, livro de contos licenciosos. “A Religiosa” de 1760 foi uma obra anticlerical que denunciava a vida dos conventos da época e “O Sobrinho de Rameau” de 1762 foi escrita após uma crise religiosa. “Jacques, o Fatalista e Seu Mestre” de 1773 revelava o seu esforço em conciliar a filosofia materialista com a crença na liberdade humana.

Denis Diderot era conhecido em seu círculo por enviar correspondências brilhantes. Viveu seus últimos anos em situação de pobreza, sendo amparado economicamente pela imperatriz Catarina da Rússia que era sua grande admiradora. Faleceu no dia 31 de julho de 1784 em Paris na França. Seus restos mortais foram sepultados no Panteão de Paris.

Arquivado em: Biografias