Flávio de Carvalho

Engenheiro-arquiteto era como se intitulava Flávio de Carvalho, nascido no dia 10 de agosto de 1899 em Barra Mansa, no Rio de Janeiro, mas, nos dias de hoje, é fácil poder nomeá-lo como grande representante do Movimento Modernista. Entre suas várias áreas de atuação, pintura, arquitetura, teatro, figurinos e performances, o que mais se exaltava era o seu interesse pelo experimental, a total fuga das regras e formas academicistas de tratar a arte.

Seu estilo era bastante peculiar e sua fusão de estilos também. O artista tinha traços surrealistas, cubistas, do expressionismo alemão, além de um grande apego ao polêmico e renovador. Tinha como ideia a antropofagia pura, releitura de movimentos artísticos europeus, para a sociedade brasileira, buscando sempre um contato direto com o espectador. Seu interesse era em despertar reações psicológicas em quem via seus trabalhos.

Desde a pintura às peças de teatro o artista Flávio de Carvalho é identificado como macabro e exagerado. Na pintura Flávia tinha interesse em cores, não tanto em formas e linhas, no teatro a ideia era elevar a ação cênica e não um texto dramático e centrado. O artista fazia suas apresentações em cenários impensáveis, com figurinos improváveis e buscando experimentar. Além disso, fez diversas performances buscando mostrar como a mente humana age de forma estranha quando está em grupos e como muitas vezes consumimos sem saber por que e como.

Um exemplo dessas performances foi a em que o artista foi andando, no sentido contrário de uma procissão de Corpus Christi, vestindo uma blusa de manga curta e uma boina verde, sua ação foi tão perturbadora que ele quase foi linchado e teve que ser levado à delegacia pela polícia. Houve muitas performances além dessa e todas buscavam experimentar a arte e mostrar que para ser artista não é necessário regras e muito menos curso.

Outra performance bastante conhecida é a vez em que o artista saiu de seu ateliê na Rua Barão de Itapetininga e andou pelas ruas do centro de São Paulo vestido com uma roupa pouco comum: era uma saia verde, sandálias de couro, uma meia arrastão e uma blusa amarela de mangas curtas. A ideia era propor uma vestimenta mais adequada ao clima de um país climático e, também, criticar o uso de roupas que são ditadas por países europeus sem qualquer questionamento. Mostra também um ato de rebeldia quanto às normas da sociedade.

Fontes:
http://www.flaviodecarvalho.com.br/
http://www.leiamoda.com.br/leiamoda/content/materia.php?idText=3734&secao=leiaartigos

Arquivado em: Arquitetura, Biografias