Manoel de Oliveira

O cineasta Manoel Cândido Pinto de Oliveira nasceu no dia 12 de dezembro de 1908, na cidade do Porto, filho de uma estirpe familiar que cultivava as artes industriais. Mas é com outra arte, a cinematográfica, que este fruto da burguesia se tornará famoso, em grande parte devido à influência paterna, já que era acompanhado do pai que ele ia constantemente ao cinema ver os filmes de Chaplin e Max Linder.

Porém foi nos esportes que ele começou a se tornar célebre, pois antes de começar sua trajetória cinematográfica ele atuou profissionalmente como atleta, atingindo inclusive a vitória no campeonato nacional. Seu percurso intelectual passou pelo Colégio Universal, na sua terra natal, e depois pelo Colégio Jesuíta de La Guardia, na Galiza.

É do cinema que vem a realização de Manoel de Oliveira. Atualmente ele é o profissional mais velho a atuar neste campo. E não cessa de receber elogios e prêmios, apesar de ser reconhecido mais no exterior que em seu próprio país. Desde o momento em que ele assistiu o documentário Berlim, Sinfonia de uma Cidade, de Walther Ruttmann, concebido no estilo próprio da vanguarda, ele não conseguiu mais desvincular sua existência da prática da sétima arte.

Neste momento ele soube que elaboraria seu próprio filme documental, Douro, Faina Fluvial, de 1931, sobre sua amada cidade, o Porto, e a atuação de seus moradores na esfera fluvial. Mal recepcionado em Portugal, foi muito bem-acolhido no exterior. Alheio a esta reação, que o acompanhará ao longo de sua trajetória profissional, ele prossegue criando, com uma persistência ímpar. Pouco antes, aos vinte anos, ele ingressara na Escola de Atores de Cinema, criada por Rino Lupo, e atuara  ao lado do irmão no filme Fátima Milagrosa, de 1928, dirigido por este empreendedor.

Posteriormente ele se aprimora tecnicamente nos estúdios da Kodak, na Alemanha. Depois de atuar como intérprete no famoso filme Canção de Lisboa, de 1933, ele finalmente começa a filmar suas produções ficcionais com a obra Aniki-Bobó, de 1942, considerado um de seus melhores trabalhos, mas rejeitado no momento de seu lançamento. Manoel o define como a primeira realização do movimento neo-realista, mesmo que esse atributo seja constantemente reivindicado pelo italiano Roma, Cidade Aberta, de Rossellini.

Normalmente as críticas lançadas a sua obra se referem mais a sua construção e ao ritmo de suas peripécias. Para Manoel o discurso tem prioridade sobre a ação e ele imobiliza deliberadamente sua câmera, que mal se movimenta, apenas quando o cineasta deseja revelar um determinado objeto ou as atitudes corporais de quem tem a palavra.

Em 1940 o diretor contrai matrimônio com Maria Isabel Brandão Carvalhais. Nesta década, descontente com a reação da platéia e dos críticos em sua própria pátria, ele se distancia da trajetória cinematográfica, porém retorna nos anos 50, com a obra documental O Pintor e a Cidade, de 1956. Em 1963 Manoel dá início a um movimento que fez história em Portugal, a antropologia visual no cinema, com a produção Ato da Primavera, de 1963.

Nesta época o diretor já se tornou uma figura consagrada mundialmente, com seu estilo autoral e sua recorrência aos recursos teatrais, tão duramente criticados pelos portugueses, mas que na verdade é um instrumento propositalmente utilizado por Manoel de Oliveira. Nas décadas de 80 e 90 ele continua a ser intensamente homenageado nos festivais de cinema, especialmente em Cannes, com Os Canibais, em 1988, e Non ou a Vã Glória de Mandar, em 1990.

No ano de 1995 ele é condecorado em Portugal, recebendo da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), o Prêmio Carreira, quando é festejado o centenário do próprio cinema.

Fontes:
http://www.citi.pt/cultura/cinema/manoel_de_oliveira/biografia.html
http://takea-break.blogspot.com/2008/12/manoel-de-oliveira-biografia.html

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