Papa Júlio II

Mestrado em História (UFJF, 2013)
Graduação em História (UFJF, 2010)

Júlio II foi o 216º papa da história da Igreja Católica.

Nascido em Savona, na Itália, em cinco de dezembro de 1443, Giuliano della Rovere era sobrinho do Papa Sisto IV, que o educou especialmente junto a monges Franciscanos para, mais tarde, estudar ciências no convento de La Pérouse. Ele foi nomeado bispo de Carpentras por seu tio e promovido, no mesmo ano, a Cardeal. Não há como negar que o Papa Sisto IV abriu muitas portas para sua carreira religiosa, tornando-o um homem influente nos bastidores da Igreja Católica. Mesmo com o falecimento de seu tio, Giuliano conseguiu conquistar mais espaço e representatividade ainda durante o papado de Inocêncio VIII.

No relacionamento político existente no interior da Igreja Católica, Giuliano della Rovere era adversário de Rodrigo Borgia e foi contrário a sua nomeação como Papa Alexandre VI. O relacionamento ruim o levou ao refúgio em Ostia antes de ir morar em Paris. Ele apoiou o rei francês Carlos VIII na invasão à Itália e articulou a convocação de um concílio para investigar a conduta do Papa Alexandre VI, o que não chegou a acontecer. O papa faleceu e foi sucedido por Pio III, que liderou a Igreja por pouco mais de um mês. Em nova eleição, foi a vez de Giuliano della Rovere ser unanimemente eleito papa, no dia primeiro de novembro de 1503, adotando o nome de Júlio II.

O Papa Júlio II arquitetou mudanças para impossibilitar que os Borgia, familiares do último Papa Alexandre VI, permanecessem nos Estados papais. Foi um papa muito diplomático e habilidoso em negociações políticas, reconciliou casas e uniu exércitos para enfrentar inimigos. Foi ele o papa que outorgou a Portugal o Tratado de Tordesilhas, em 1506. Júlio II comandou exércitos pessoalmente em campanhas militares e conquistou territórios.

Sob seu comando ocorreu o V Concílio de Latrão, o maior concílio ecumênico da Idade Média. Entre as decisões mais importantes estavam a negação do Concílio de Pisa, a reforma do clero e regulamentou as relações entre a Santa Sé e a França, que tentava criar uma Igreja Nacional. Também deixou um grande legado na arte e cultura religiosa. Foi o responsável pela primeira pedra da nova Basílica de São Pedro e amigo e mecenas de Bramante, Rafael e Michelangelo, que pintou o teto da Capela Sistina a pedido do Sumo Pontífice.

Apesar de ter sido adversário do Papa Alexandre VI e ter estimulado uma investigação sobre sua conduta, o Papa Júlio II tinha várias amantes e comprovadamente uma filha. Algumas fontes indicam que tivera outras duas que morreram ainda crianças. Além disso, foi acusado de vários atos sexuais indecentes.

Júlio II faleceu no dia 20 de fevereiro de 1513, aos 69 anos de idade. Foi sepultado em Roma e seu túmulo foi obra também de Michelangelo, porém o artista nunca chegou a concluí-lo. Seus dez anos de papado foram sucedidos pelo Papa Leão X.

Fontes:
DUFFY, Eamon. Santos e Pecadores: história dos Papas. São Paulo: Cosac & Naify, 1998.
FISCHER-WOLLPERT, Rudolf. Os Papas e o Papado. Petrópolis: Editora Vozes.

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