Salvador Allende

Ensino Superior em Comunicação (Universidade Metodista de São Paulo, 2010)

Salvador Allende foi médico, político e primeiro presidente socialista da América Latina a chegar ao poder democraticamente. Governou o Chile de 1970 a 1973 e foi deposto por um golpe militar comandado pelo general Augusto Pinochet com o apoio indireto dos Estados Unidos.

Salvador Allende. Foto: Biblioteca del Congreso Nacional de Chile.

Salvador Guillermano Allende Gossens nasceu em 26 de junho de 1908 em Valparaíso, cidade litorânea do Chile. Filho do advogado Salvador Allende Castro e de Laura Gossens Uribe. Em 1926 ingressou na Universidade de Medicina do Chile e tornou-se presidente do Centro Acadêmico, vice-presidente da Federação de Estudantes e membro do Conselho Universitário. Nessa época, aprofundou seu interesse pelo marxismo e participou ativamente das manifestações contra o governo ditatorial de Carlos Ibáñes. Em 1927 entrou para a Maçonaria, irmandade tradicional em sua família. Em 1931 foi suspenso da universidade como punição pelo seu ativismo político. Em 1933 conclui Medicina com o trabalho “Higiene Mental e Delinquência”. No mesmo ano participou da fundação do Partido Socialista Chileno e designado secretário da Regional de Valparaíso.

Em 1937, Allende foi eleito deputado e estabeleceu forte presença junto aos trabalhadores. Foi designado subsecretário-geral do Partido Socialista e em 1939 renunciou ao Parlamento e assumiu o Ministério da Saúde, Previdência e Assistência Social do Chile, exercendo o cargo até 1942.

No dia 16 de setembro de 1940 casa-se com Hortênsia Bussi, com quem teve três filhas.

Em 1945 foi eleito senador, ocupando o cargo por 25 anos. Em 1952 Salvador Allende se candidatou pela primeira vez à presidência do Chile, pela coligação Frente do Povo, braço do Partido Socialista e foi derrotado. Tentou a candidatura presidencial em mais três ocasiões: nos anos de 1958, 1964 e 1970. Neste último ano foi eleito por uma coligação de esquerda, a Unidade Popular, composta por socialistas, comunistas, radicais e socialdemocratas.

No dia 3 de novembro de 1970, Salvador Allende assumiu a Presidência do Chile. Na época, 45% do capital do país estava em domínio de investidores estrangeiros e os norte-americanos controlavam a exploração das minas de cobre. A dívida do Chile era de 40 milhões de dólares, uma das maiores do mundo.

Allende declarou que faria um governo marxista, implantaria a reforma agrária, nacionalizaria os bancos e também as grandes empresas. No primeiro ano, Allende começou a fazer as reformas e logo o país apresentou um crescimento econômico, mas em 1972 a situação se agravou e o capital estrangeiro desapareceu, ocasionando queda na produção agrícola e estagnação do crescimento. O clima de insatisfação aumentou e conflitos isolados tornaram-se constantes, indicando uma ameaça de guerra civil.

Em junho de 1973 aconteceu a primeira tentativa fracassada de golpe militar. No dia 11 de setembro do mesmo ano, os militares saíram às ruas para tomar o poder à força. O palácio presidencial foi atacado durante três horas de bombardeios das Forças Aéreas. Allende estava acuado no interior do prédio e cumpriu a promessa feita em discurso transmitido pelas rádios, onde prometia não renunciar.

Enfrentando um clima de grande tensão e pressão psicológica, Salvador Allende cometeu suicídio dentro do Palácio de La Moneda no dia 11 de setembro de 1973. Após o golpe foi estabelecida uma junta militar para governar o país e Pinochet foi apontado como representante do Exército. Em 17 de Junho de 1974, Pinochet assumiu formalmente o cargo de Chefe Supremo da Nação e em 1981 foi autoproclamado presidente da República do Chile, para um regime ditatorial que duraria 17 anos. Na época, o sepultamento de Allende foi feito em uma cova comum. Em 1990, com o término da ditadura, o político recebeu um funeral com as devidas honras militares no Cemitério Geral de Santiago.

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