Célula endotelial

Doutora em Ciência Animal (UFG, 2020)
Mestrado em Ciências Veterinárias (UFU, 2013)
Graduação em Ciências Biológicas (UEG, 2010)

O epitélio que reveste internamente os vasos sanguíneos, os vasos linfáticos e o coração é denominado endotélio. Ele é constituído por uma única camada de células pavimentosas, chamadas células endoteliais, por isso, é classificado como Epitélio Pavimentoso Simples.

As células endoteliais possuem um núcleo basofílico de formato achatado, o qual caracteriza as células epiteliais pavimentosas ao microscópio óptico e apresenta-se em coloração azulada, devido a afinidade pela hematoxilina, nas preparações comuns HE. O citoplasma é pouco volumoso e muitas vezes nem é possível ser observado na visualização microscópica.

Essas células possuem origem no mesoderma e, apesar de formar uma camada de revestimento muito delgada nos vasos e no coração, elas cobrem uma extensão de cerca de 600 metros quadrados em todo o sistema cardiovascular e linfático.

Uma célula endotelial vive cerca de 30 anos. Após este período, as células tendem a morrer e células vizinhas proliferam-se e a substituem. As células endoteliais que se regeneram parecem não desempenhar suas funções de forma completa, assim sua resposta a estímulos é diminuída.

Localização das células endoteliais em um vaso sanguíneo. Ilustração: ilusmedical / Shutterstock.com

As células endoteliais não são apenas células de revestimento

A células endoteliais nos vasos sanguíneos apresentam diversas funções metabólicas, de forma que são consideradas uma interface entre o sistema circulatório e os vários sistemas do organismo.

Durante muitos anos acreditou-se que sua função limitava-se ao revestimento característico a todos os outros epitélios. No entanto, nos últimos 40 anos tem-se verificado diversas funções do endotélio para a homeostasia do organismo. Podemos citar as seguintes funções:

  • Constitui uma parede lisa e, por isso, conserva o fluxo sanguíneo laminar, impedindo aderência e agregação de células sanguíneas;
  • Preserva a fluidez da membrana plasmática e a característica da membrana basal, de forma que controla a passagem de substâncias entre os vasos e o sangue;
  • Possui mecanismos de modulação entre coagulação e fibrinólise, ou seja, atua na coagulação quando há rupturas nos vasos, mas impede esse processo no sangue normal;
  • Inibe a proliferação e migração de células;
  • Controla a inflamação;
  • Mantém o tônus vascular, mas também possui função vasodilatadora. Dessa forma, adapta-se aos estímulos sobre a quantidade de sangue necessária nos tecidos;
  • Desempenha função protetora contra o desenvolvimento de lesões vasculares
  • Regula a resposta ao Sistema Nervoso Autônomo, por meio do tônus vagal, ou seja, controla a vasodilatação e vasoconstrição sobre comando do nervo vago;
  • Controla o crescimento de novos vasos e circuitos vasculares necessários em determinadas situações, regulando a proliferação das células musculares lisas também.

Produção de substâncias

As funções do endotélio estão relacionadas a produção de determinadas substâncias pelas células endoteliais, sob o estímulo da pressão sanguínea nos vasos.

A principal delas é o óxido nítrico (NO). Mas, elas produzem outras substâncias com função vasodilatadoras, tais como prostaciclinas, cininas e fator de hiperpolarização derivado do endotélio e outras com função vasoconstritoras, como a endotelina e a angiotensina II. Além disso, são produzidas moléculas antioxidantes como a enzima superóxido dismutase e antinflamatórias, como prostaciclinas, heparanas e peptídeos natriuréticos.

O equilíbrio entre a produção e liberação dessas substâncias mantem o endotélio normal, mas um desbalanço nessa produção pode ocasionar disfunção endotelial e quadros como a arterosclerose.

Referências:

BAHIA, Luciana et al. O endotélio na síndrome metabólica. Arquivos Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, 2006.

CARVALHO, Maria Helena Catelli et al. Hipertensão arterial: o endotélio e suas múltiplas funções. Rev Bras Hipertens, v. 8, n. 1, p. 76-88, 2001.

GHISI, Gabriela Lima de Melo et al. Exercício físico e disfunção endotelial. Arq. bras. cardiol, v. 95, n. 5, p. e130-e137, 2010.

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