Ciclo de vida haplobionte

Mestre em Ciências Biológicas (UFRJ, 2016)
Graduada em Biologia (UFRJ, 2013)

O ciclo de vida haplobionte é caracterizado pela presença de apenas um tipo de indivíduo quanto à ploidia. Em outras palavras, espécies haplobiontes apresentam somente indivíduos haploides (n) ou somente indivíduos diploides (2n) ao longo de todo o seu ciclo.

No caso de indivíduos haploides (n), o ciclo de vida é chamado de haplobionte haplonte. Esse tipo de ciclo é observado na maioria dos fungos e em muitos protozoários, incluindo algumas algas unicelulares. Já quando os indivíduos são diploides ao longo de todo o ciclo, ele é chamado de haplobionte diplonte. Este é o caso da espécie humana que apresenta todas as suas células somáticas 2n. Além dos humanos, todos os outros animais e alguns protozoários são haplobiontes diplontes. Em ambos os ciclos de vida haplobiontes, a meiose ocorre num determinado momento. Por esse motivo ela possui denominações diferentes, dependendo do momento do ciclo em que ocorre.

Ciclo haplobionte haplonte

No ciclo de vida haplobionte haplonte o indivíduo haploide produz gametas também haploides que ao se unir vão dar origem a um zigoto diploide. É nesse momento, imediatamente após a formação do zigoto, que ocorre a meiose, caracterizando a meiose como zigótica. As células haploides provenientes dessa meiose vão se desenvolver no indivíduo adulto capaz de formar gametas, fechando assim o ciclo. Um exemplo desse tipo de ciclo ocorre com o fungo que forma o bolor. Seu zigoto 2n passa por uma meiose logo após sua formação, produzindo esporos n que vão germinar e dar origem ao indivíduo adulto n.

Ciclo haplobionte diplonte

De forma diferente, no ciclo de vida haplobionte diplonte, os indivíduos diploides vão formar seus gametas através da meiose, que será então chamada de meiose gamética. Nos seres humanos, é nesse momento que são formados espermatozoides pelos homens e óvulos pelas mulheres. Por terem passado pela meiose, essas células gaméticas são haploides, possuindo apenas uma cópia de cada cromossomo. Ao se unirem, os gametas dão origem a um indivíduo diploide, com material genético contendo duas cópias de cada cromossomo. Quando estes indivíduos estiverem maduros vão gerar gametas, fechando assim o ciclo.

Do ponto de vista evolutivo, o surgimento da reprodução sexuada permitiu que a condição diploide aparecesse. É provável que essa condição tenha surgido mais de uma vez na história evolutiva, provocada pela união de duas células haploides formando um zigoto. A partir disso, é possível que o zigoto tenha se dividido imediatamente por meiose, voltando à condição haploide e estabelecendo a meiose zigótica vista nos indivíduos haplobiontes haplontes.

Ainda é provável que tenha ocorrido um erro no momento da divisão de um desses zigotos, e ao invés da divisão por meiose tenha sido feita uma divisão mitótica. Esse evento também ocorreu mais de uma vez na história evolutiva, produzindo organismos compostos por células diploides. Nesses organismos a meiose acabou acontecendo posteriormente, resultando na produção de gametas, estabelecendo assim a meiose gamética vista nos indivíduos haplobiontes diplontes.

Referências:

Amabis, J. M. & Martho, G. R. 2006. Fundamentos da Biologia Moderna: Volume único. 4ª Ed. Editora Moderna: São Paulo, 839 p.

Raven, P. H.; Evert, R. F.; Eichorn, S. E. 2007. Biologia vegetal. 7a ed. Editora Guanabara Koogan: Rio de Janeiro, 830 p.

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