Coloração de aviso

Existem algumas espécies animais que apresentam em seu corpo cores e linhas muito vibrantes que as destacam no ambiente ao invés de escondê-las. Essa característica é chamada de coloração de aviso (ou coloração de advertência, ou, ainda, aposematismo), que atua como um tipo de sinal, alertando aos predadores que o animal tem um sabor desagradável e/ou é tóxico, sendo, portanto, melhor evitá-lo.

Coloração de aviso em uma espécie de borboleta. (Foto: Inzilbeth / Wikimedia)

Coloração de aviso da borboleta monarca. (Foto: Inzilbeth [GFDL or CC-BY-SA-3.0-2.5-2.0-1.0] / via Wikimedia Commons)

Alguns répteis, anfíbios e insetos, principalmente, se valem desse mecanismo para se adaptar ao ambiente, e, com isso, garantir sua sobrevivência. Vermelho, azul, verde, amarelo, preto e laranja são as cores mais utilizadas por esses animais como forma de alerta aos seus predadores, de modo a impedir que sejam consumidos.

A borboleta monarca (Danaus plexippus), por exemplo, apresenta uma coloração vistosa e é extremamente tóxica. Quando um pássaro predador a ingere, sente um mal estar devido à ação da toxina, vomita e, a partir daí, passa a evitar toda borboleta que tenha um modelo de cores parecido com o daquela que lhe causou a sensação ruim.

Outros exemplos de animais que ostentam a coloração de aviso são rãs e sapos coloridos: a pele desses anfíbios é dotada de poderosos venenos, que podem, não só causar mal estar ao predador como até mata-los. Répteis peçonhentos, como as cobras corais e algumas espécies de lagartos, também apresentam um padrão de cores intensas que alertam sobre o risco que representam.

Há, ainda, certas espécies que, embora não sejam peçonhentos, também usam da sua coloração para afastar o predador. Um exemplo disso é a falsa coral, que não é venenosa, porém, copia o padrão de cores da coral verdadeira, que é altamente peçonhenta. O mesmo ocorre com a borboleta vice rei (Limenitis archippus), que tem sabor agradável aos pássaros, mas desenvolvem, por seleção natural, uma aparência muito próxima à da borboleta monarca, iludindo seus predadores. Esse tipo de adaptação em que as espécies inofensivas imitam evolutivamente os modelos perigosos ou tóxicos é chamado de mimetismo batesiano.

Ainda que sacrifique a vida de alguns indivíduos da população, a coloração de aviso é uma importante ferramenta no processo de adaptação das espécies.

Referência bibliográfica:
AMABIS, José Mariano, MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia volume 3. São Paulo: Moderna, 2004.

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