Especiação

Mestre em Ecologia e Evolução (Unifesp, 2015)
Graduada em Ciências Biológicas (Unifesp, 2013)

Especiação é o nome dado ao processo evolutivo pelo qual são formadas duas ou mais espécies a partir de um ancestral comum a elas. Este processo explica a grande diversidade de vida encontrada no nosso planeta.

Para entender melhor este processo, é necessário ter bem estabelecido o que é uma espécie, mas isso não é tão simples quanto parece, já que não existe consenso entre pesquisadores. Um dos conceitos mais conhecidos é o conceito biológico, que define espécies em termos de compatibilidade reprodutiva. Mas, assim como os mais de 25 conceitos de espécies existentes, o conceito biológico possui algumas limitações, não se aplicando a todos os casos e organismos. Uma solução para isso é tratar espécies como linhagens que estão evoluindo separadamente (conceito unificado de espécie, ainda pouco disseminado), pois este seria o único elemento compartilhado pelos diversos conceitos de espécie existentes.

Assim como os conceitos de espécie, existem inúmeros modos de especiação discutidos na literatura. Os mais difundidos se baseiam no conceito de espécie também mais difundido – o biológico – e, portanto, focam nas barreiras reprodutivas. Estes processos são descritos em termos do grau de isolamento geográfico, o qual pode interromper o fluxo gênico entre populações. São eles:

Especiação alopátrica

A especiação alopátrica ocorre quando uma população é dividida em subpopulações isoladas, interrompendo ou diminuindo o fluxo gênico. Dessa forma, se pelo menos uma das populações sofrer mudanças evolutivas durante o período da separação, podem surgir barreiras reprodutivas pré ou pós-zigóticas que, uma vez estabelecidas, podem impedir o cruzamento mesmo que as populações reestabeleçam seu contato em algum momento.

Especiação peripátrica

Esta é uma versão da especiação alopátrica que ocorre quando uma pequena população se isola na periferia da população principal. A maior diferença entre os dois modos é que, na especiação peripátrica, pelo fato de a população ser menor, o efeito da deriva genética é mais drástico, levando ao processo de especiação mais rapidamente.

Especiação simpátrica

A especiação simpátrica ocorre quando uma pequena população se diferencia numa nova espécie sem que haja separação geográfica. Para isso, é necessário o surgimento de uma barreira reprodutiva que isole uma parte da população, o que pode ocorrer como resultado de fatores como diferenciação de habitat por parte da população ou seleção sexual. Especialmente em plantas, é muito comum a evolução em simpatria por poliploidia – quando acidentes na meiose resultam em um ou mais conjuntos extras de cromossomos. Em animais este processo também pode ocorrer, mas é raro.

Especiação parapátrica

Assim como a especiação simpátrica, na especiação parapátrica também não há barreira geográfica para o fluxo gênico. A população ancestral ocorre de forma contínua, mas os indivíduos tendem a cruzar com seus vizinhos mais próximos e não de forma aleatória. Este tipo de especiação pode ocorrer, por exemplo, quando populações adjacentes se adaptam a diferentes ambientes ao longo de um contínuo geográfico onde a espécie ancestral ocorre. Embora tais populações se mantenham em contato geográfico, indivíduos “intermediários” podem ter menor fitness do que aqueles adaptados a cada um dos ambientes, levando a uma crescente diferenciação das populações por seleção disruptiva (modo de seleção no qual os extremos são favorecidos).

Referências:

De Queiroz, K. Species Concepts and Species Delimitation. Systematic Biology. 2007.

Entendendo a Evolução. IB-USP.

Reece, Jane B. et al. Biologia de Campbell. 10ª Edição. Porto Alegre: Artmed. 2015.

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