Hepáticas (Filo Hepatophyta)

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2017)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica de São Paulo, 2012)
Graduação em Biologia (UNITAU, 2006)

Publicado em 10/05/2019

As hepáticas ou Filo Marchantiophyta, também conhecido como Filo Hepatophyta, fazem parte de um grupo de plantas chamadas briófitas. As briófitas são importantes colonizadoras iniciais de superfícies de rochas e solos nus, contribuindo para a diversidade vegetal do ambiente. São plantas não vasculares que habitam regiões úmidas, como interior de florestas e ao longo de cursos d’água. Apresentam uma dependência da água para a sua reprodução, já que os gametas masculinos (chamados de anterozoides) são flagelados e deslocam-se apenas em meio líquido para chegar até os gametas femininos (denominados oosfera), que são imóveis.

O filo das hepáticas (do grego, hépatos = fígado) constituí cerca de 6.000 espécies (Figura 1). Esse nome surgiu no século IX, quando havia a crença de que a aparência de fígado dos gametófitos (fase haploide (n)) sinalizava que essas plantas eram úteis no tratamento de doenças relacionadas com este órgão. Geralmente são plantas pequenas e por isso podem passar desapercebidas na natureza. Entretanto, se o ambiente for favorável, ou seja, sombreado e úmido, podem ocorrer grande agrupamentos de hepáticas. A grande maioria das espécies desse filo se desenvolvem diretamente a partir do esporo, apesar de que alguns gêneros formam primeiro uma estrutura similar a protonemas, a partir do qual os gametófitos se desenvolvem. Protonemas são estruturas filamentosas produzidas pelos esporos ao germinarem no solo. A presença de um meristema apical permite que os gametófitos continuem a crescer. Quanto a sua morfologia, este grupo de briófitas pode ser dividido em folhosas e talosas. As hepáticas folhosas apresentam gametófitos diferenciados em filídios, caulídeos e rizoides, que não são considerados folhas, caules e raízes verdadeiras pois ocorrem na geração gametofítica e não apresentam xilema e floema.

Figura 1. Detalhe do talo de uma Marchantia polymorpha. Foto: Przemyslaw Muszynski / Shutterstock.com

As hepáticas talosas apresentam o talo diferenciado em uma porção superior (dorsal) e uma porção inferior (ventral). A porção dorsal é fina, suas células possuem uma grande quantidade de cloroplastos e apresentam poros com câmaras aeríferas, permitindo as trocas gasosas. Ao redor de cada poro se encontram células especializadas que permitem o fechamento dessa estrutura em condições de seca, adiando a perda de água. Quando há o retorno da umidade, essa estrutura se abre novamente. Dessa forma, os poros apresentam função similar aos estômatos das plantas vasculares. A porção ventral é mais grossa e sem coloração devido à ausência dos cloroplastos. Nessa região são encontradas fileiras de escamas e os rizoides. De forma geral, os rizoides nas briófitas estão relacionados apenas com a função de fixação das plantas ao substrato, sendo que a absorção de água e íons ocorre através do gametófito.

O gênero Marchantia é uma hepática talosa que possui ampla distribuição, com gametófitos lobados e dicotomicamente ramificados. Nessas espécies, os gametângios são originados em estruturas especializadas denominadas gametóforos, que é uma haste fértil que sustenta os gametângios (local de produção dos gametas). Os gametófitos são unissexuados, podendo ser facilmente identificados em masculinos e femininos de acordo com a parte superior do gametóforo. Os gametângios masculinos, denominados de anterídios, são formados em gametóforos cuja parte de cima apresenta formato discoide, enquanto que o gameta feminino, chamado de oosfera, se origina de um gametóforo com forma semelhante a guarda-chuva (Figuras 2). O ciclo de vida da Marchantia está ilustrado na figura 3.

Figura 2. Gametófito feminino com gametóforo em forma de guarda-chuva. Foto: IanRedding / Shutterstock.com

 

Figura 3. Esquema do ciclo de vida de uma hepática do gênero Marchantia. Ilustração: LadyofHats / via Wikimedia Commons / CC-0

Em relação a reprodução assexuada, o tipo mais comum é a fragmentação, em que pedaços pequenos de tecidos formam um gametófito completo, ou através de gemas, que são corpos multicelulares que originam novos gametófitos. Em Marchantia, as gemas são produzidas em estruturas especializadas chamadas de conceptáculos (Figura 4), sendo dispersas principalmente pelas gotas de chuva.

Figura 4. Estruturas especializadas denominadas conceptáculos, responsável pela reprodução assexuada. Foto: Cora Unk Photo / Shutterstock.com

Referência bibliográfica:

Raven, P.; Evert, R.F. & Eichhorn, S.E. 2007. Biologia Vegetal. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 830 p.