Imunidade e resistência genética contra helmintos

Os helmintos são agrupados em dois filos: Nemathelminthes, com a classe mais importante Nematoda e os Platyhelminthes, com as classes Cestoda e Trematoda.  Helmintos causam um grave problema socioeconômico e muitos são classificados como zoonoses. A resistência é mediada por mecanismos genéticos e imunológicos. Os estudos genéticos identificam os marcadores fenotípicos para a seleção de animais resistentes. A resposta imune contra helmintos é composta por mecanismos humorais e celulares. Os anticorpos atuam naqueles localizados na mucosa do trato digestivo. As respostas clinica e patológica são similares às reações de hipersensibilidade tipo I com imunoglobulinas IgE, eosinófilos e mastócitos.

Helmintos que realizam migração nos tecidos tem uma resposta celular do sistema imune. A resposta é semelhante às reações de hipersensibilidade tipo IV. Nas infecções por helmintos, os granulomas são caracterizados pela presença de eosinófilos, que é associado a presença de linfócitos Th2 e citocinas. A reação de hipersensibilidade tipo III, é outro tipo de reação tardia, caracterizada pela deposição de fibrose e colágeno nos tecidos em resposta ao estimulo antigênico pela migração dos helmintos.

As respostas imunes contra os parasitos estão sob controle genético, a seleção para animais resistentes a nematodas intestinais resulta em uma maior reatividade de um amplo espectro de funções imunológicas celulares e humorais. A resistência de um animal ao Nematoda pode ser definida como uma habilidade natural, dificultando ou ate mesmo impedindo o estabelecimento e desenvolvimento de larvas. Há uma dificuldade de mensurar um animal resistente, então são selecionados os animais que possuem uma baixa contagem de ovos nas fezes. Existem outras formas de determinar resistência genética do animal, como determinar o nível de anticorpos contra antígenos secretados e antígenos excretados das L3, a contagem de eosinófilos, determinar a concentração de IgE especifico para antígeno de helmintos e de produtos liberados de mastócitos.

A resistência genética conhecida é a de ovinos ao parasita Ostertagia circumcincta. O componente principal da resistência e o potencial para controle genético foram estabelecidos e existem métodos para cruzar ovinos que serão mais resistentes a este parasita e mais produtivos. O principal gene foi identificado no complexo de histocompatibilidade e os mecanismos de resistência são a produção local de IgA que regula a fecundidade do verme e as reações de hipersensibilidade.

Ovinos são mais resistentes geneticamente à infecção de Haemonchus contortus aqueles que possuem hemoglobina A dos que possuem a hemoglobina B. Os animais que possuem a hemoglobina A tem uma resposta a autocura mais eficiente, eliminando nematodas adultos.

Fonte:
GASBARRE, F.D. Effects of gastrointestinal nematode infection on the ruminant imune system. Veterinary Parasitology, Amsterdam, v. 72, n.34, p.327-337, 1997.

GRENCIS, R.K. Th2-mediated host protective immunity to intestinal nematode infections. Philosophical transactions of the royal society of London. Series B: Bioligal Sciences, London, v.352, n. 1359, p. 1377-1384, 1997.