Citocinas

Graduada em Ciências Biológicas (Unifesp, 2013)

Citocinas são polipeptídeos ou glicoproteínas produzidas por diversos tipos celulares e capazes de modular a resposta celular de diversas células, incluindo dela própria. São moléculas hidrossolúveis e de tamanho variado. Podem ser divididas no grupos: interleucinas (IL), fatores estimuladores de colônias (CSF), fator de necrose tumoral (TNF), interferons (IFN) e fatores de crescimento (TGF). No entanto sua classificação pode estar relacionada com sua forma estrutural ou seu papel biológico/função.

No geral as citocinas são produzidas por células tanto do sistema imune inato quanto o adaptativo, afim de ativar, mediar ou regular a resposta imune total. Elas possuem tempo de vida média, curta e dependem de ligação receptor-substrato específica, ou seja, só ativam células que tenham o receptor específico.

Quanto suas repostas biológicas finais, podem ser: mediadores e reguladores da resposta inata; quimiocinas; citocinas mediadoras da função de linfócitos T e B; e citocinas estimuladoras da hematopoiese. Cada uma dessas funções está relacionada a uma habilidade do sistema imune, desde sinalizar para outras células, a invasão de organismos externos (geralmente feita pelas células do sistema imune inato), como sinalizar adesão rápida de leucócitos para a região necessária, e até a ativação e reestimulação de células efetoras (inatas ou adaptativas).

É importante distinguir citocinas de hormônios. Apesar de ambas sinalizarem respostas para células receptor-específicas, agindo de forma autócrina, parácrina ou endócrina, os hormônios diferentemente das citocinas, circulam no sangue em concentrações maiores (ordem de nanomolar) e são produzidas por células específicas (glândulas especializadas para cada hormônio). Enquanto as citocinas circulam na corrente sanguínea na ordem de picomolar e podem ser sintetizadas por praticamente todo tipo de célula nucleada.

Como dito anteriormente, a ação das citocinas depende de receptor específico e por isso elas são ditas como tendo propriedade pleiotrópica, ou seja, podem gerar efeitos múltiplos em mais um tipo celular. Além da propriedade de pleiotropia, também podem ser redundantes (quando citocinas diferentes desempenham função semelhante), sinérgicas (quando citocinas diferentes somam suas ações para uma resposta única) ou antagônicas (quando citocinas geram respostas opostas).

Sendo seus efeitos biológicos tão amplamente diferenciados, as citocinas desempenham diferentes papeis na homeostase dos organismos de diferentes modos e em diferentes momentos. Sabe-se que as citocinas estão relacionadas com diversos processos durante o curso da embriogênese e do desenvolvimento do embrião. Ela também está relacionada a predisposição de diversas doenças como depressão, esquizofrenia, doença de Alzheimer e até mesmo câncer. O balanço feito por todas as citocinas, promovendo inflamação e depois inibindo, bem como balanceando outros efeitos como o de estimulação de crescimento celular, entre outros, é o ajuste fino entre o desenvolvimento da doença e a homeostase (saúde) do indivíduo.

Ainda, a presença de citocinas pode ser usada como diagnostico importante para algumas doenças, como doenças autoimunes ou para indicação de processos inflamatórios. Além disso, elas têm sido estudadas para fins terapêuticos, usando principalmente tecnologias de DNA recombinantes, buscando suas funções imunomodulatórias como formas de regular certos processos que estejam mal regulados, como por exemplo respostas a drogas e alimentos.

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