Seres autótrofos

Doutorado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2012)
Mestrado em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente (Instituto de Botânica-SP, 2007)
Graduação em Ciências Biológicas (Universidade de Guarulhos, 2003)

Seres autótrofos são organismos capazes de produzir seu próprio alimento (substâncias orgânicas) a partir de substâncias inorgânicas retiradas do próprio ambiente. O termo autótrofo é de origem grega onde autos significa "o próprio", "sozinho" e trophos, que se alimenta.

A síntese de nutrientes por organismos autótrofos acontece através da fotossíntese. Estes organismos possuem organelas citoplasmáticas típicas para este propósito, os cloroplastos (ou plastídios). Estas organelas são constituídas por membranas que envolvem outro sistema de membranas interconectadas, em forma de sacos achatados conhecidos como tilacoides, estas estruturas estão imersas no estroma, matriz pouco homogênea que serve para sustentar os tilacoides e rica em enzimas. Nos cloroplastos localizam-se pigmentos fotossintetizantes, dentre os quais a clorofila responsável pela cor verde das plantas e o carotenoide, que confere as cores laranja e amarela das folhas. Estes pigmentos são capazes de absorver luz durante a etapa clara da fotossíntese, ou reação de transdução de energia, onde há liberação de oxigênio; enquanto que a síntese de substâncias orgânicas (carboidratos) acontece a partir da conversão de dióxido de carbono em outra etapa que não necessita da luz.

Bactérias

Análises filogenéticas com base em dados do ácido nucleico RNA ribossômico foram responsáveis pela formação do grupo Bacteria. Este grupo é formado por seres unicelulares procariontes, àqueles que não possuem envoltório nuclear (carioteca); além de outras particularidades principalmente com relação informações moleculares. Bacteria é considerada um domínio, categoria acima de reino que comporta vários grupos, tanto pela bióloga norte americana Lynn Margulis como pelo microbiologista também norte americano, Carl Richard Woese.

Bacteria está representada por 17 grupos, desde organismos muito antigos que são os autótrofos, quimiossintetizantes (não necessitam de água e sim sulfeto de hidrogênio, oxidando hidrogênio gasoso ou reduzindo compostos sulforosos) e termófilos extremos (vivem em ambientes cuja temperatura varia de 45º a 85º C). Até outros organismos autótrofos fotossintetizantes como as cianobactérias e bactérias purpúreas e verdes.

Protistas

O reino Protista foi proposto pelo pesquisador norte americano Whittaker, no século XX. Protista é de origem grega e significa “seres inferiores”. Contudo, este reino abriga tanto seres autótrofos como heterótrofos. As algas são os organismos autótrofos fotossintetizantes muitas vezes referidos em literatura como protistas eucariontes fotossintetizantes. Os organismos em Protista são muito diversificados com relação à morfologia, tipo de reprodução, fisiologia e ecologia. Assim, algas variam desde formas unicelulares até aquelas com aparência de plantas (macroalgas), cujo tecido é pseudoparenquimatoso. A maioria das algas obtém nutriente através da fotossíntese, assim como a maioria das plantas (embriófitas e traqueófitas). Contudo, existem algas que podem realizar a fotossíntese, mas também podem absorver partículas orgânicas do ambiente e utilizá-las como alimento. Quando os organismos apresentam dois modos de nutrição, o fenômeno é referido por mixotrofia, os dinoflagelados são um exemplo de algas mixotróficas.

Plantas terrestres (embriófitas e traqueófitas)

As plantas são classificadas desde o século IV a.C., quando Aristóteles as agrupava com algas, bactérias e fungos no reino Plantae. Quando há referência ao termo planta, imaginam apenas os vegetais, como musgos, samambaias, arbustos e árvores de maneira geral. Porém, a classificação biológica atual para o grupo das plantas se tornou mais abrangente reunindo no grupo das viridófitas (plantas verdes), ou Viridiplantae, as algas verdes; antóceros, hepáticas e musgos (antigamente referidos por briófitas); samambaias e licófitas (antigamente referidas como pteridófitas); gimnospermas (plantas com sementes) e angiospermas (plantas com flores). As embriófitas (subdivisão das viridófitas) agrupam todas as plantas terrestres mencionadas exceto algas e têm um embrião com duração variável, que resultará em um esporófito jovem. A fotossíntese é o meio em que as plantas adquirem nutrientes necessários à sobrevivência.

Bibliografia recomendada:

http://tolweb.org/Eukaryotes/3 (consultado em setembro de 2018)

Evert, R.F. & Eichhirn, S.E. 2014. Raven/ Biologia Vegetal. 8ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 856p.

Fidalgo, O. & Fidalgo, M.E.P.K. 1967. Dicionário Micológico. Rickia – Série Criptogâmica dos “Arquivos de Botânica do Estado de São Paulo”. Instituto de Botânica, São Paulo. 232pp.

Judd, W.S., Campbell, C.S., Stevens, P.F. & Donoghue, M.J. 2009. Sistemática vegetal: um enfoque filogenético. Artmed, 3ª. edição, Porto Alegre, RS. 632p.

Lee, R.E. 2008. Phycology. 4ª edição, Cambridge University Press, New York. 561pp.

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