Deficiência de Ferro no organismo

Licenciatura Plena em Química (Universidade de Cruz Alta, 2004)
Mestrado em Química Inorgânica (Universidade Federal de Santa Maria, 2007)

O elemento químico ferro, simbolizado por Fe, é um dos elementos de história mais rica dentre todos os da Tabela Periódica dos Elementos. A carência do elemento químico ferro pode causar no organismo humano, além da popular anemia, também anorexia, sensibilidades ósseas a temperaturas baixas, irritabilidade e problemas de crescimento. Seu excesso pode também ser perigoso, podendo provocar problemas digestivos, cansaço extremo e dores de cabeça.

Tanto o excesso quanto a deficiência de ferro podem causar sérios problemas ao organismo humano. O excesso de ferro é conhecido como hemocromatose, e ocorre quando a alimentação é rica deste mineral e o organismo apresenta alta tendência em absorvê-lo.  A sua deficiência, mais popular do que o seu acúmulo, é chamada de anemia. A palavra anemia, entretanto, apesar de hoje estar popularmente associada à carência de ferro, não é utilizada unicamente para esta denominação. Quando se refere à carência específica deste elemento, a denoninação mais acertada é anemia ferropriva.

Quando há carência de ferro no organismo humano, os depósitos reticuloendoteliais, ou seja, a hemossiderina e a ferritina são totalmente depletados mesmo antes do estabelecimento da anemia. Na medida em que a doença evolui, os primeiros sintomas começam a surgir no paciente, como cansaço extremo, fraqueza, indisposição diversa, dores de cabeça, sonolência e lentidão muscular. Ao longo dos dias pode-se apresentar estomatite, unhas quebradiças, enfraquecimento do cabelo, com fios finos e secos, assim como ressecamento da pele, descoramento das mucosas pervenção do apetite.

A razão das alterações epiteliais ainda não é clara, ou seja, não está completamente elucidada. Sabe-se que pode ser devido à diminuição da concentração de ferro nas enzimas que o contém, as quais estão mais diretamente relacionadas às regiões epiteliais. Para crianças, essa deficiência de ferro se torna mais significativa, sendo evidenciada inicialmente por sintomas como a irritabilidade, retardo das funções cognitivas e redução do desenvolvimento psicomotor.

A causa de deficiência de ferro no organismo está relacionada à perda sanguínea crônica, a qual é mais comum via uterina e no trato gastrointertinal. Na infância, pode ocorrer por nascimento prematuro, anemia materna durante à gravidez ou ainda perda de sangue no momento do parto. Como tratamento, deve-se estar consciente de que, em qualquer situação, a recomendação é sempre buscar-se tratar a causa do problema. Assim, deve-se administrar ferro, ou via oral, intramuscular ou endovenosa, para sanar-se a anemia, e assim repor os depósitos deste mineral no organismo.

Vale ainda salientar que a administração de ferro via oral pode ser acompanhada de alguns sintomas, como náuseas, constipação ou diarréia. Por via intramuscular o processo é muito doloroso, sendo muitas vezes evitado na segunda vez. Já de forma endovenosa, o processo deve ser lento, e a amostra deve ser diluida em soro fisiológico.

Referências:
RUSSELL, John B.; Química Geral vol.1, São Paulo: Pearson Education do Brasil, Makron Books, 1994.
SARDELLA, Antônio; MATEUS, Edegar; Curso de Química: química geral, Ed. Ática, São Paulo/SP – 1995.
MAHAN, Bruce M.; MYERS, Rollie J.; Química: um curso universitário, Ed. Edgard Blucher LTDA, São Paulo/SP – 2002.

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